COBERTURA | FutureMD: Sessões Paralelas

Gostavas de saber mais sobre especialidades como Anestesiologia, Cirurgia Plástica e Medicina Intensiva, mas não conseguiste marcar presença nas respetivas sessões paralelas do FutureMD? Fica descansado: a FRONTAL esteve lá a preparou um pequeno resumo acerca de cada uma para ti.

Anestesiologia (Dr. João Mendes)

Introdução à Especialidade

Como escolher a especialidade? Há que ter em conta vários pontos. Se consideras que tens a sanidade mental preservada, és esforçado q.b. e gostas “mais ou menos” de lidar com doentes (até gostas deles, mas preferes pô-los a dormir…) talvez Anestesiologia seja uma boa especialidade para ti.

Tendo começado com a introdução do Éter em 1846 como gás anestésico por Green Morton, a Anestesiologia é a especialidade da segurança. É a especialidade que oferece condições para o ato cirúrgico, cujos pilares são a sobrevivência do doente, a inconsciência e a analgesia.

É também uma especialidade transversal ao hospital: vai do Bloco Operatório aos procedimentos em Gastrenterologia, Radiologia de intervenção, Oftalmologia, Cuidados Intensivos, Emergência e apoio hospitalar, Emergência pré-hospitalar (VMER), tratamento da dor aguda e da dor crónica. O anestesista tem obrigatoriamente de lidar com o doente como um todo, apoia-se sobretudo nas ciências básicas (fisiologia, farmacologia e anatomia), e dentro da versatilidade inerente à especialidade esta é preventiva e é reativa, é a “medicina do imediato” e muito tecnológica.

Formação

Após a entrada em vigor da Portaria n°92/2016, o internato passou da duração de 4 para 5 anos. O interno de Anestesiologia ingressa em 2 anos de Bloco Operatório com passagem na Unidade de Cuidados Intensivos, fazendo posteriormente 3 anos em cirurgias de maior complexidade, com estágios opcionais (um deles em outro hospital com total autonomia). Durante o internado existem 3 cursos obrigatórios, nomeadamente DAV, ATLS e Curso de Via Aérea Difícil. Dentro do currículo do internato existem diversas atividades extracurriculares às quais o interno se pode dedicar.

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Anestesiologia da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Anestesiologia aqui.

Prós e contras

Quanto aos prós a nível prático, destaca-se a empregabilidade, que ainda é alta; é uma especialidade financeiramente aliciante e com facilidade na gestão de horários. Para além disto, é uma especialidade gratificante na medida em que atua nas situações de maior vulnerabilidade do doente, com uma diferente tipologia de relação médico-doente que se baseia principalmente na absoluta confiança que o doente coloca no médico. “Do lado do cirurgião está o sangue, do lado do anestesista o cérebro”.

Quanto a desafios, o anestesista tem de ter conhecimentos técnico-científicos sólidos, confiança e segurança nos procedimentos, serenidade na atuação em situações críticas (o anestesista é o líder da equipa), “coronárias de ferro”, “bom senso”, aptidão para pequenos procedimentos e non-technical skills (liderança, comunicação, espírito de equipa, etc). De salientar que é considerada uma especialidade de alto risco.

Dicas

O Dr. João considera que Portugal está muito bem colocado a nível de Internato em Anestesiologia no mundo. Muitas vezes os fármacos estão disponíveis mais precocemente em Portugal que os outros países, sendo que o Norte (Porto) é mais forte no âmbito desta especialidade.

Cardiologia (Dra. Ana Timóteo)

Introdução à especialidade

A Cardiologia é uma especialidade médica que se foca no coração e nas suas patologias. É uma especialidade essencial em qualquer hospital, pela posição prima do coração, no contexto da fisiopatologia de diversos órgãos.

Formação

Após o ano comum, a especialidade de cardiologia conta com 5 anos de formação, divididos entre a formação geral, dada pela Medicina Interna, e a formação específica, focada na Cardiologia. Nestas dividem-se:

  • Medicina Interna:
    • 8 meses divididos em urgência, consulta e enfermaria de medicina interna;
    • 3 meses de cuidados intensivos.
  • Cardiologia Clínica – 11 meses.
  • Cuidados Intensivos – 5 meses.
  • Técnicas:
    • Ecocardiografia – 6 meses
    • Eletrocardiografia.
  • Cardiologia Nuclear.
  • Cardiomiopatias Congénitas – 2 anos:
    • Cardiologia pediátrica;
    • Cardiologia de Intervenção.
  • Cirurgia Cardíaca – 2 anos.
  • Opcionais – 3 meses.

A avaliação segue também uma vertente contínua, com avaliações anuais, e uma final, dividida em prova teórica e prática, com a elaboração de uma história clínica. Nesta avaliação final também é avaliado o currículo do interno, sendo por isso importante a realização de trabalho científico, quer com a publicação de artigos, quer com a realização de apresentações orais e posters para congressos.

Podes saber mais acerca de especialidade de Cardiologia aqui.

Prós e Contras

As vantagens desta especialidade são:

  • Grande quantidade de técnicas realizadas pelos médicos, como ECG, Ecocardiografia, Angiografia, etc.;
  • Área de foco na investigação;
  • Trabalho com a indústria farmacêutica;
  • Área de investigação tecnológica;
  • Constante trabalho com equipas multidisciplinares.

Podem-se considerar como desvantagens os seguintes pontos:

  • Horário pesado;
  • Bastante tempo de formação posterior, devido à quantidade de técnicas abrangidas;
  • Realização de Urgências.

Cirurgia Geral (Dr. Emanuel Vigia)

Introdução à especialidade

De acordo com o Dr. Emanuel Vigia, o futuro dos médicos está cada vez mais a dirigir-se para a subespecialização, quer em termos de trabalho, quer em termos de aprendizagem. Afirma que os novos cirurgiões se irão focar em duas ou três áreas específicas de cirurgia, no máximo. Explica também que a maior parte das cirurgias gerais realizadas decorre em ambulatório.

Apesar de nos últimos anos a população de cirurgiões gerais ter quase triplicado, hoje em dia ainda se verifica uma falta de cirurgiões gerais, sendo uma especialidade muito procurada pelos hospitais.

O Doutor afirma ainda que, geralmente, os cirurgiões passam por um “chamamento para a cirurgia”: momento em que percebem que realmente querem seguir este caminho profissional (intuição).

Formação

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Cirurgia Geral da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Cirurgia Geral aqui.

Prós

  • A discussão dos doentes é multidisciplinar, sendo necessário o contacto com variadas especialidades, como Radiologia, Pneumologia, Anatomia Patológica e Oncologia.
  • Trabalho garantido, nacional e internacionalmente (o trabalho dos cirurgiões portugueses é muito respeitado fora de Portugal).
  • O salário “não é mau”.

Contras

  • Aparente brutidão dos cirurgiões no Bloco Operatório, devido a todo o stress experienciado.
  • Elevado número de horas e stress no trabalho.
  • É preciso ter vocação e gosto pelo que fazemos, bem como diversas soft skills (p.e. capacidade de liderança, comunicação e saber lidar com o stress).
  • Ser capaz de abdicar de certas regalias, como: dormir toda a semana em casa, passar tempo em condições com a família e conseguir ir de férias descansado, sem receber telefonemas do hospital.

Dicas

  • Sermos honestos com nós próprios e fazer aquilo que realmente desejamos para o nosso futuro.
  • Não deixarmos que ninguém influencie aquilo que vamos realmente seguir.
  • Apela ao pensamento crítico.
  • Aconselha-nos a ir eliminando as especialidades em que não estamos interessados, de modo a acabar o curso com cerca de 5 opções finais por onde escolher;
  • “Escolham um trabalho que vocês amem e vocês nunca terão de se esforçar para trabalhar ao longo da vida.”

Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética (Dr. Leandro Azevedo)

Introdução à Especialidade

É uma especialidade cirúrgica pura com um programa de formação de 6 anos. O programa formativo em Portugal está bem estabelecido e, na opinião do Doutor, bem estruturado. Um interno que cumpra este programa estará apto para seguir a especialidade sem quaisquer restrições.

Apesar de a componente estética estar sempre presente em todos os procedimentos cirúrgicos realizados por um cirurgião plástico (ou qualquer outro cirurgão), a cirurgia estética per si constitui apenas uma pequena parte da cirurgia plástica, que se divide em Reconstrutiva e Estética. Efetivamente, grande parte dos cirurgiões plásticos escolhem uma ou duas áreas de intervenção, onde se irão focar mais ao longo da sua prática cirúrgica (subespecialização). Estas áreas de intervenção vão deste a mão, queimaduras e reconstrução mamária até ao contorno corporal pós-cirurgia bariática e cirurgia estética. O dia a dia de um cirurgião plástico varia entre consultas, Bloco Operatório, Pequena Cirurgia e Cirurgia de Ambulatório.

Formação

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética aqui.

Prós

  • O cirurgião pode-se subespecializar numa área de intervenção que prefira.
  • Bom programa formativo.
  • É multidisciplinar: os cirurgiões plásticos trabalham em equipa com várias especialidades distintas, onde se incluem: Cirurgia Geral, Otorrinolaringologia, Ginecologogia e Cirurgia Vascular.
  • Nesta especialidade não existem diferenças relevantes entre o serviço Público e o Privado.
  • A Cirurgia Plástica permite aos internos fazer vários estágios fora do país, de modo a enriquecer a sua experiência cirúrgica e conhecimentos de diversas áreas da especialidade.

Contras

  • Durante os 6 anos de formação são realizadas urgências de 24h uma vez por semana.
  • Mesmo após a sua formação, o cirurgião poderá ter de ser chamado para realizar urgências.
  • Ultrapassam-se facilmente as 40 horas por semana de trabalho.

Dermatologia e Venereologia (Dr. André Lencastre)

Introdução à especialidade

Na opinião do Dr. André Lencastre, a Dermatologia é fundamentalmente uma especialidade de imagem, baseada na observação de doentes, o que a distingue de todas as outras especialidades.

Com o objetivo de nos dar a conhecer a sua especialidade, o Dr. decidiu desmistificar alguns dos preconceitos associados ao médico dermatologista, em especial o de “Ver borbulhas. Pôr pomadinhas. Fazer muitas consultas.”

Sendo a Dermatologia uma especialidade de observação, em que muitos diagnósticos são definidos em poucos minutos, naturalmente esta vai basear-se na observação de lesões dermatológicas – tipicamente as “borbulhas”. No entanto, alguns dermatologistas dedicam-se a áreas muito específicas como a Dermatoscopia Digital ou subespecializam-se em Dermatopatologia, Alergologia Cutânea ou Medicina Estética.

Embora o dermatologista utilize frequentemente a administração tópica de fármacos, a terapêutica é muito abrangente e existem técnicas muito específicas, como por exemplo a fototerapia.

Quanto ao elevado número de consultas, que pode ser um fator de stress associado à especialidade, na sua opinião esta constitui uma das únicas formas de observar muitos doentes e fazer diagnósticos, o que é sem dúvida crucial para a formação de um médico dermatologista.

Em termos de atividade científica, esta é uma especialidade muito exigente, principalmente durante o internato – são necessárias, no mínimo, 8 publicações em revistas indexadas e 10 a 12 comunicações livres editadas. Mas apesar da exigência, esta pode ser uma forma de viajar em trabalho.

Formação

O programa de formação engloba 5 anos:

  •       1º ano: 6 meses de Medicina Interna e 6 meses de Cirurgia Geral;
  •       2º ano: Dermatologia Geral; estágios obrigatórios e opcionais*;
  •       3º ano: Estágios obrigatórios e opcionais*;
  •       4º ano: Cirurgia Dermatológica;
  •       5º ano: Estágios obrigatórios e opcionais*;

*Estágios obrigatórios em Fotodermatologia, Dermatologia Pediátrica, Dermatopatologia, Alergologia Cutânea, Infeções Sexualmente Transmissíveis, Micologia Dermatológica, Dermatoscopia Digital e estágios opcionais

Podes saber mais acerca da especialidade Dermatologia e Venereologia aqui.

Prós

  • Rapidez e facilidade na aprendizagem a elaborar diagnósticos.
  • Não fazer bancos, o que pode ser uma vantagem se estás a pensar na vida familiar.
  • Bom ambiente (mas é variável de serviço para serviço).
  • Baixa mortalidade dos doentes.
  • Realização profissional, por melhorar muito a qualidade de vida dos doentes

Contras

  • Doentes crónicos com alta morbilidade.
  • Elevada exigência durante o internato.
  • Especialidade de grandes egos.
  • Elevado número de consultas, o que por vezes se pode tornar cansativo, repetitivo e constituir um fator de stress.

Gastrenterologia (Dra. Susana Chaves)

Introdução à especialidade

A Gastrenterologia é uma especialidade médica que se foca no sistema digestivo na sua totalidade. Apesar de ser uma especialidade médica, tem uma grande variedade de técnicas que pode realizar, sendo assim bastante apelativa para quem queira ter uma abordagem mais “hands on”.

A Gastrenterologia também é uma especialidade que apresenta uma das maiores variedades de casos diferentes, ao estudar o sistema digestivo, desde o tubo às glândulas anexas. Tem como áreas de trabalho a clínica, com a realização de Urgências, Consultas (1 vez por semana) e Hospital de Dia. Também participa em reuniões clínicas, quer da especialidade, quer multidisciplinares. Também tem uma grande área de formação e investigação.

Formação

Após o decurso do ano comum, a especialidade inclui 5 anos de formação, divididos em formação geral, de Medicina Interna, e formação específica, própria da especialidade. Discriminando as diversas partes, tem-se:

  • Medicina Interna – 11 meses:
    • 8 meses divididos em urgência, consulta e enfermaria de medicina interna;
    • 3 meses de cuidados intensivos;
  • Anatomia Patológica – 2 semanas:
    • Pode ser realizada uma formação conjunta de 3 dias, juntamente com os internos da especialidade de Anatomia Patológica.
  • Serviço de Gastrenterologia – 40 semanas.
  • Opcionais – 6 meses:
    • Estas podem ser divididas em diferentes estágios, com um prazo mínimo de 1 mês cada;
    • Podem ser realizados no estrangeiro.

É previsto que neste tempo de formação o interno trabalhe na área da publicação científica, quer com a publicação de artigos, quer com a realização de posters e apresentações orais para congressos. É de assinalar que não existem números mínimos exigidos aos internos, pelo que a avaliação é feita bastante à base de comparação.

Após ter completado o primeiro ano de formação, é também pedido que o interno ajude os mais novos no seu processo de formação, também havendo uma perspetiva pedagógica incluída no internato.

Quanto à avaliação, são feitas avaliações de um modo contínuo, sendo a mais importante a prova realizada aquando do término da especialização. Esta envolve uma componente teórica e prática (com a discussão de uma história clínica).

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Gastrenterologia da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Gastrenterologia aqui.

Prós e Contras

Em termos de vantagens, podem-se salientar:

  • É uma especialidade completa, que aborda todo o tubo digestivo;
  • Diversa;
  • Grande foco científico e pedagógico;
  • Autonomia de seguimento do doente;
  • Trabalho integrado com Anatomia Patológica, Imagiologia e Cirurgia Geral;
  • Grande variedade de técnicas realizadas pelo gastrenterologista.

Em termos de desvantagens, encontram-se as seguintes:

  • Não se sai completamente especializado, pela grande variedade de técnicas abrangidas;
  • No trabalho no privado, muitas das síndromes encontradas são funcionais, e não orgânicas;
  • Horários pesados;
  • Realização de urgências.

Medicina Geral e Familiar (Dra. Rita Viegas)

Introdução à especialidade

O médico de família é um médico que trabalha para a comunidade. Portanto, segue doentes distribuídos por todas as etapas da vida: nascimento, infância, adolescência, idade adulta, maternidade e idade avançada.

Formação

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Medicina Geral e Familiar da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Medicina Geral e Familiar aqui.

Prós

  • Por norma, as horas de saída são certas (exceto quando ocorrem imprevistos).
  • Permite ir dormir a casa todos os dias.
  • Quando se trabalha ao fim de semana, são horas diurnas.
  • É possível fazer a especialidade quer em ambiente rural, quer em ambiente urbano.
  • É possível realizar outras atividades, como pequena cirurgia. No entanto, depende do centro de saúde em si e terão de ser realizadas fora das 42h de trabalho semanais.
  • Médicos de família também podem fazer urgências hospitalares, o que se deve especialmente à falta de médicos internos nos hospitais.

Contras

  • Não há subespecializações.
  • As listas de doentes são extensas.
  • Medicina geral e familiar não dá altas.
  • É necessário ter uma boa capacidade de comunicação.
  • Elevada pressão, devido ao tempo específico disponível para as consultas.

Dicas

  • Durante a especialidade é essencial enriquecer ao máximo o currículo com trabalhos de investigação e publicações científicas, por exemplo.

Medicina Intensiva (Dr. Ricardo Matos)

Introdução à especialidade

Nascida em 2015, quando foi promovida de subespecialidade a especialidade, a Medicina Intensiva é ainda uma criança. Enquanto subespecialidade, os profissionais partiam geralmente de Medicina Interna, Anestesiologia ou Pneumologia, de acordo com variações regionais (p.e. no sul partiam sobretudo de Medicina Interna, no centro também de Pneumologia, e no norte de forma mais equilibrada entre as 3).

A Medicina Intensiva aborda a prevenção (uma das grandes responsabilidades do médico), o diagnóstico e o tratamento de doenças agudas, potencialmente reversíveis, tentando corrigir disfunções/falências orgânicas, com o objetivo de promover a qualidade de vida dos doentes (evitando a sua morbilidade). O seu principal objetivo é a eficiência, atingindo os melhores resultados gastando o menos possível.

O grande mote da Medicina Intensiva é “dar suporte às funções de órgãos”, recorrendo a estratégias para os apoiar como sejam o ventilador (para os pulmões), a diálise (para o rim) e o desfibrilhador (para o coração). Com isto, os doentes às vezes não morrem, mas ressalva-se a necessidade de evitar o encarniçamento terapêutico – aplicação de medidas fúteis sem a perspetiva de recuperação do doente.

Para além da substituição de órgãos, a Medicina Intensiva recorre também a outros aparelhos para monitorizar esses mesmos órgãos, como sejam a monitorização cardíaca invasiva, a medição da pressão intracraniana, o BIS para avaliar o grau de sedação, o oxigénio tecidular do cérebro, o eletroencefalograma, o simples oxímetro, o ecocardiógrafo, entre muitos outros.

Nesta especialidade, são também cruciais os grupos de trabalho multidisciplinares, já que os intensivistas não trabalham sozinhos, trabalhando também com outras especialidades e com outros grupos profissionais.

Formação

Neste momento, e até 2022, existem duas vias para ingressar em Medicina Intensiva:

  1. Via clássica: Formação Especializada em Medicina Interna/Anestesiologia/Pneumologia → Proposta ao Diretor de Serviço para subespecializar em Medicina Intensiva → Formação Complementar em Medicina Intensiva;
  2. Via do Internato da Formação Especializada: Formação Especializada em Medicina Intensiva desde logo.

Em 2022, estando a Medicina Intensiva já melhor estabelecida enquanto especialidade, a via clássica irá ser abolida, passando a via através do Internato de Formação Especializada em Medicina Intensiva a constituir o único percurso para alcançar esta especialidade.

Podes saber mais acerca da Especialidade de Medicina Intensiva aqui.

Prós e contras

Para quem gosta de trabalhar com aparelhos, a Medicina Intensiva, por trabalhar com muitas máquinas, é a especialidade ideal – estes médicos são por muitos considerados “os médicos dos eletrodomésticos”.

É uma especialidade que consome muitas horas, muito trabalho, e grande permanência em ambiente hospitalar (sobretudo em unidades específicas), tendo uma grande dimensão e consumindo um grande número de recursos – “o habitat de um intensivista é o hospital”.

Implica trabalhar horas noturnas – apesar de, segundo a legislação, os médicos a partir dos 50 anos não terem de fazer noites e a partir dos 55 não terem de fazer Serviço de Urgência, na prática gostam da especialidade e acabam por trabalhar noites durante mais tempo.

Dicas

Há ainda muitos pontos a melhorar na Medicina Intensiva em Portugal, como seja tornar as Unidades de Cuidados Intensivos abertas.

Além disso, Portugal está na cauda da Europa no que toca ao número de camas de intensivos, merecendo também aqui uma melhoria.

Pediatria (Dra. Patrícia Gonçalves)

Introdução à especialidade

A Pediatria é essencialmente a medicina interna da criança e do adolescente, desde o nascimento até aos 17 anos e 365 dias de vida.

Formação

A Formação Especializada em Pediatria consiste em 5 anos, 3 de formação básica em pediatria e 2 de formação especializada.

Podes consultar a Infografia da Especialidade de Pediatria da AMP-student aqui.

Podes saber mais acerca de especialidade de Pediatria aqui.

Prós e contras

A Pediatria oferece a possibilidade de subespecializar em diversas áreas. Fora disso, e para quem não consiga ou não queira desde logo ingressar na Formação Especializada em Pediatria, existe a possibilidade de, através de outras especialidades à parte, subespecializar na sua vertente mais pediátrica; existe ainda a opção de escolher outras especialidades que, não sendo exclusivamente pediátricas, tenham por excelência muito contacto com crianças (p.e. Otorrinolaringologia, Imunoalergologia).

A Pediatria é uma especialidade muito pouco dependente de aparelhos, baseando-se imenso na semiologia e nas “alianças” que estabelece com os pais das crianças.

Durante a formação são muitas vezes submetidos a avaliações orais, o que é benéfico para treinarem lidar com o stress, o que pode ser depois aplicado em contexto de consulta, p.e. para lidar com os pais das crianças.

Dicas

Os estudantes de Medicina e jovens médicos, antes de escolherem a especialidade, devem perceber em que ambiente se sentem bem, fazendo a sua escolha por gostarem verdadeiramente da especialidade e não pelo local onde estagiaram. A palestrante ressalva, porém, que não se devem apegar muito a uma especialidade, porque a entrada será condicionada pela nota na Prova Nacional de Acesso.

Já dentro da especialidade, os médicos não se devem limitar à sua unidade, mas procurar fazer estágios noutras unidades e fora do país, procurando sempre diferenciarem-se.

O grande conselho é o de começar desde logo, i.e. desde que se inicia a especialidade, a pensar no exame de saída da especialidade, percebendo desde início aquilo que será avaliado no final para que não se acabe perdendo pontos (p.e. a sequência dos diferentes estágios durante a especialidade tem de ser feita de acordo com o que está legislado, senão perdem-se pontos – caso um interno tenha mesmo de alterar a ordem, deve salvaguardar-se pedindo à Ordem dos Médicos um certificado a constatar que foi por necessidade do seu Serviço que alterou a ordem dos estágios). Deve também prestar-se desde logo atenção ao documento que explicita detalhadamente como fazer o relatório final, e começar desde cedo a fazê-lo dessa forma, com essa formatação. Outra coisa que se deve procurar fazer desde logo é o caso clínico que têm de publicar, pois leva ainda bastante tempo (6 meses a 1 ano) a ser publicado numa revista indexada.

 

Podes ainda consultar Infografias da Especialidade da AMP-student para outras especialidades, nomeadamente: Angiologia e Cirurgia Vascular; Cirurgia Maxilofacial; Cirurgia PediátricaDoenças Infeciosas; Endocrinologia e NutriçãoFarmacologia Clínica; Genética MédicaGinecologia-Obstetrícia; ImunoalergologiaMedicina DesportivaMedicina do TrabalhoMedicina InternaMedicina Legal; Medicina Nuclear; NefrologiaNeurocirurgia; NeurorradiologiaOftalmologiaOrtopedia; OtorrinolaringologiaPneumologiaPsiquiatria; Psiquiatria da Infância e da AdolescênciaRadiologia; RadioncologiaReumatologia; Urologia.


AUTORES

Beatriz Oliveira 

Carolina Gavancho

David Gil

Joana Farrica

Sara Serra

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here