A FRONTAL informa: 92ª AG da ANEM

Durante o fim de semana de 22 a 24 de março decorreu a 92ª Assembleia Geral (AG) Ordinária da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM). Realizou-se nas instalações do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, no Porto.

92ª AG ANEM

Durante os dois primeiros dias estiveram em cima da mesa a revisão de regulamentos internos da ANEM e a apresentação e discussão do seu plano de atividades e orçamento. Tão ou mais importante, o último dia foi dedicado à Educação Médica.

A ANEM começou por apresentar um documento comparativo do ano profissionalizante de todos os currículos das escolas médicas em Portugal. Este documento – produzido pelo Grupo de Trabalho de Educação Médica (GTEM) da ANEM – surge numa altura crucial em que o Grupo de Trabalho para revisão do Regime do Internato Médico (GTRIM), criado em 2011 pelo Ministério da Saúde, propõe que se estabeleça uma harmonização do programa de formação do 6º ano médico em todas as escolas. Esta recomendação pretende tornar o último ano efetivamente profissionalizante, com o objetivo final de permitir a extinção do Internato do Ano Comum (IAC), já para o ano de 2015.

Consta no documento produzido pelo GTEM a descrição das unidades curriculares e respetivos métodos de avaliação dos vários cursos, bem como, pertinentemente, uma comparação dos rácios tutor:aluno. A análise apresentada continua a sugerir que a componente profissionalizante deste ano ainda é um ideal, e não uma realidade.

Mais, existem discrepâncias entre as várias faculdades no que às áreas médicas abordadas diz respeito, o que, defende a ANEM, deve ser tido em conta quando se questiona a existência do IAC, sob pena de serem comprometidas a equidade e qualidade da formação médica. Assim, o produto final deste trabalho de revisão levado a cabo pelo GTEM será certamente uma ferramenta importante na defesa da posição tomada pela ANEM, que se manifesta contra a extinção do IAC.

O documento completo produzido pela ANEM pode ser acedido aqui: ANEM – Análise do 6º Ano Profissionalizante

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Mas não só o IAC passa por um processo de revisão, sendo que também o Grupo de Trabalho para revisão da Prova Nacional de Seriação (GTPNS) começou a reunir recentemente. A ANEM, personificada no seu presidente, Francisco Mourão, vai integrar este grupo de trabalho, naquilo que representa uma oportunidade de ouro para que os estudantes de medicina sejam ouvidos aquando da tomada de decisões que definem o seu futuro.

Foi apresentada a proposta de posição da ANEM sobre a constituição de uma nova PNS. Resumem-se algumas considerações tecidas neste documento que merecem especial destaque:

[list type=”arrow”] [li]O propósito final desta prova deverá ser a seriação dos candidatos, permitindo que seja estabelecida uma lista ordenada para escolha de especialidade[/li]

[li]As áreas a abordar na prova deverão dizer respeito unicamente à Medicina Interna, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Psiquiatria, Pediatria e Medicina Geral e Familiar, por serem áreas transversais aos currículos de todas as escolas médicas;[/li]

[li]Deverá ser elaborada uma matriz que defina objetivamente os conteúdos enunciados anteriormente e indicada a bibliografia recomendada para a mesma;[/li]

[li]Todas as questões deverão ser de escolha múltipla, com uma única resposta correta e baseadas no raciocínio clínico;[/li]

[li]Todas as questões incluídas numa prova deverão ter sido previamente validadas;[/li]

[li]Deverá ser assegurada a existência de um momento formal de revisão de prova.[/li]

[/list]

A totalidade da posição da ANEM pode ser lida aqui: ANEM – Posição PNS (março 2013)

Tomando em consideração os prazos definidos pelo GTPNS, cuja próxima reunião vai decorrer durante os próximos dias e durante a qual a ANEM deveria apresentar a sua posição, e o facto de não ter ficado expressamente definida a nível nacional a necessidade de convocar uma Reunião Geral de Alunos (RGA) para debater este tema, muitas Associações Locais, de entre as quais a AEFCML, não convocaram RGA. Este facto levou a que se tenham verificado algumas discrepâncias na abordagem do assunto pelos diferentes associados, não tendo sido ouvidos para este efeitos os alunos de algumas escolas médicas. Tendo isso em conta, dos quatro votos a que tem direito a AEFCML dois foram em abstenção. Por outro lado, perante a necessidade urgente de a ANEM se pronunciar sobre este tema, e assumindo que os nossos representantes devem levar até junto das entidades decisoras uma posição sólida e consistente que defenda os maiores interesses de todos os estudantes de medicina, a AEFCML aprovou parcialmente este documento com dois votos a favor.

Após a votação de algumas propostas de alteração ao documento original esta posição foi aprovada e será apresentada pela ANEM aquando da próxima reunião do GTPNS.

Nota da Redação: à data da redação deste texto ainda não havia data para esta reunião, mas que entretanto já ocorreu, no dia 27 de março de 2013.

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