Eleições: Entrevista a João Ulrich

Frontal - Campanha Eleitoral 002
Fotografia: Pedro Palma | Coordenação: Luís Afonso Cunha

Colaboração: Mónica Paes Mamede, Joana Dionísio, Tomás Bandeira e Marta Batista

PÁGINA DA LISTA W

As entrevistas aos candidatos Teresa Nóbrega e João Ulrich realizaram-se, respectivamente, nos dias 29 e 31 de Outubro. Por incompatibilidade da agenda do João Ulrich, só foi possível concretizar a sua a seguir ao Debate de quarta-feira, 30 de Outubro. Considerando poder existir alguma injustiça nesta disposição por violação de um princípio de igualdade de circunstâncias e procurando equilibrar esta situação, a FRONTAL, em contacto com a Mesa da Assembleia Geral,  propôs à candidatura da Teresa Nóbrega a inclusão de novas perguntas a realizar pós-debate. Eis a resposta da Lista M: «A Teresa considera que o debate fala por si e que manteve uma postura coerente e integra ao longo de toda a semana. Posto isto, não lhe faz sentido acarretar qualquer tipo de comentário pós-debate».

Foi na quinta-feira, depois do acalorado Debate, que nos sentámos com o João Ulrich para trocar dois dedos de conversa. A certo ponto, ouvimo-lo falar de “prova de fogo”, mas no final foi satisfeito que se despediu de nós. Falámos sobre os desafios da Lista W, as suas Propostas e as expectativas para o mandato 2013/2014 da DAEFCML.

FRONTAL: Boa tarde. Antes de mais um muito obrigado por teres acedido conceder-nos esta entrevista. A primeira pergunta é de praxe, para começar de forma tranquila: porque razão te candidatas à Direcção da AEFCML? Na tua opinião, o que faz de ti a pessoa ideal para seres o próximo presidente?

JU: Antes de mais gostava de dizer que a minha candidatura avançou no dia em que entreguei a lista e não no dia em que a comecei a formar, porque só senti segurança para me candidatar no dia em que reuni uma equipa, que para mim, tem todas as condições para dar certo.

Acho que sou a pessoa indicada para tal porque, apesar de não ter experiência na AEFCML, tenho experiência de associativismo desde cedo na minha vida e acho que o fundamental é ter vontade de trabalhar, ter vontade de aprender, e isso é aquilo que eu quero acima de tudo. Espero contar com a ajuda dos membros da actual Direcção. Para além disso acho que  uma capacidade que um presidente tem de ter é a vontade de aglomerar pessoas e de as motivar. Acho que formando uma equipa como formei – uma equipa que na minha opinião é de extrema qualidade, elevada qualidade mesmo – isso transparece alguma capacidade de aglomerar pessoas que tenham capacidade de trabalho.

FRONTAL: Por seres um candidato sem história na direcção AEFCML, muitos te acusarão de falta da experiência necessária para a dirigir de forma responsável. Achas que a tua equipa está preparada para este grande desafio? E como é que respondes a estas críticas?

JU: Claro que não tenho experiência e toda a gente sabe. Nunca fui vogal, nem vogal suplente, nem colaborador. Na minha equipa tenho pessoas que têm experiência em várias áreas da faculdade, quer comissões de curso, quer monitores de vários departamentos e também pessoas que já colaboraram com a Associação de Estudantes e pessoas que já foram vogais e vogais suplentes da Associação.

Quanto a mim, eu nunca fui uma pessoa de ficar parada. Trabalho desde os 15 anos, especialmente no verão, uma vez que em tempo de aulas tinha de estudar. Sempre trabalhei, comecei a varrer ruas numa idade em que ainda nem sequer era permitido trabalhar. A minha Câmara Municipal (que é a de Oeiras) deu-me essa possibilidade. Sempre fui uma pessoa que comecei por baixo, varri ruas, trabalhei em bares e cafés, andei em festivais a vender cerveja com um barril de 20 litros às costas. No meu 12º ano pensei candidatar-me à Associação de Estudantes da minha escola; no entanto acabei por ser fundador e presidente da rádio, uma vez que não existia nada do género no liceu de Oeiras. Curiosamente, nesse ano, acabou por não existir nenhuma Associação de Estudantes e a rádio substituiu o papel da Associação.

Acho que eu não sou uma pessoa com fraca experiência de associativismo para além de que tive na Comissão de Curso no 1º e 2º anos de faculdade e isso trouxe-me vantagens para trabalhar.

FRONTAL: Antes de seres candidato à Presidência da DAEFCML, pertenceste à Comissão de Curso do teu ano. Achas que esta experiência te ajudará, caso a Lista W seja vencedora, no novo cargo?

JU: Acho que sim, sem dúvida alguma. A experiência na Comissão de Curso é muito importante porque a DAEFCML tem que manter um diálogo constante com a Direcção da Faculdade e com os seus vários orgãos (Científico, Pedagógico, com o próprio Diretor), sendo importante ter alguém que já tem uma noção de como se deve interagir com esses orgãos e qual o seu funcionamento. A participação numa Comissão de Curso durante o 1º e 2º anos (claro que não estive na Comissão durante os anos clínico, uma vez que estou no 4º ano e é a primeira vez que estou num ano clínico), mas já pude ver como funciona o Pedagógico e já trabalhei com membros da Associação e sei o trabalho que eles fizeram e o trabalho que desenvolvem.

FRONTAL: A carência de conhecimento do funcionamento específico da AEFCML é partilhada, possivelmente, por qualquer aluno que não tenha feito já parte de uma Direcção. Como te preparaste para colmatar as lacunas da falta de experiência a este nível?

JU: Em muitos aspectos foi tentar perceber o trabalho de backoffice das pessoas que estão na actual Direcção. Para além disso, claro, tentei informar-me através do site, que acredito ter falhas. Esta não é uma crença apenas minha: tanto as propostas de imagem e comunicação da lista W como as lista M são as mesmas. Há portanto uma falha em termos de comunicação na Associação. O site, muitas vezes, por erros informáticos, não tem disponível tudo o que é preciso. Tentei descarregar os estatutos mas não foi possível. Chamei a atenção e fiz tudo o que estava ao meu alcance para saber o que há a saber sobre a Associação. E acho que, tal como eu o fiz, mais alunos o fazem. Não é só para se candidatar a Presidente da [Direcção de] uma Associação que um aluno vai à procura.

FRONTAL: Tradicionalmente a nossa Associação de Estudantes é dirigida seguindo uma lógica de continuidade – cada nova Direcção recebe da anterior diversos membros que seguem mais ou menos a linha traçada até então. Efectivamente desde 2010 não existem duas listas adversárias a concorrem à Direcção da AEFCML. Porém, desta vez é diferente. Como vês tu esta novidade?

JU: Vejo esta novidade sempre de uma forma positiva. Quero aproveitar para dar os parabéns a todas as pessoas que estão empenhadas nas suas candidaturas. Acho que é muito importante haver sempre duas candidaturas, porque significa mais ideias, significa mais projectos a trabalhar independentemente da lista que saia vencedora. Acho igualmente importante haverem pessoas motivadas o suficiente para, mesmo não sendo da continuidade e mesmo não tendo a experiência que advém de uma continuidade, obviamente, queiram dar o seu contributo e queiram trabalhar. Mesmo que não ganhem tenho a certeza que as pessoas da minha equipa estão dispostas a trabalhar com a lista de continuidade e a transmitir a sua experiência, que não é da Associação de Estudantes mas é de outras áreas da vida.

FRONTAL: Uma das grandes críticas apontadas à actual Direcção da AECML é a monopolização do poder através da descendência, segundo o disseste, dinástica. De que forma a Lista W propõe interromper este ciclo?

JU: Gostava sinceramente, daí ter-me candidatado, que houvesse uma mudança nesta continuidade e uma coisa que posso garantir é que a lista W, caso vença as eleições, assegurará que todos os alunos podem e devem concorrer à Associação de Estudantes. Foi aquilo que alguns dos membros da lista W e outros alunos não têm vindo a sentir.

Somos uma lista que não é de continuidade. Quebra-se então uma barreira e haverá certamente mais vezes duas listas, porque as pessoas este ano perceberam que é fundamental e que traz dinamismo, e não nos segurarmos na continuidade também tem esse ponto positivo.

FRONTAL: Se a lista W ganhar, não poderá ser ela a nova monopolizadora do poder?

JU: Assegurar-me-ei que não, que isso não vai acontecer. E acho que através da forma como a lista W abordou vários Grandes Projectos da Associação que foram desenvolvidos este ano, demonstrou-se que a lista W está disposta a trabalhar com todas as pessoas, inclusive pessoas da lista oposta. A lista W quer aquilo que é melhor para os alunos e quer que o aluno que é mais capaz de cumprir cada tarefa aceite trabalhar connosco. Assim como nós aceitamos trabalhar, se nos convidarem, para qualquer tarefa que seja. Assim se demonstra que a Lista W não quer assumir a direcção de nenhum projecto. E se alguém se acha capaz de levar o projecto para a frente essa pessoa deve continuá-lo. A lista W já manteve a sua posição de que não irá pela via de monopólio de projectos.

FRONTAL: Em oposição à Lista M, associada à continuidade, a Lista W é por vezes apontada como sendo a alternativa. Identificas-te com este tipo de rotulagem?

JU: Alternativa é tudo o que não é igual à outra coisa e a lista W não é igual à lista M. Tanto a lista W é alternativa à lista M, como a lista M é alternativa à lista W. Não acho que esse rótulo seja específico para a lista W, a W é alternativa à M, mas a M também é alternativa à W, é esta a forma como eu vejo as coisas.

FRONTAL: Que alternativas, então, sugerem para a AEFCML? De uma maneira geral, o que fará a Lista W de diferente em relação ao que foi feito até hoje pelas várias Direcções?

JU: Uma coisa que devo salientar desde já é que, quando comecei a fazer os convites para as pessoas trabalharem na lista W, convidei muitas pessoas que não conheço, informei-me junto dos alunos da faculdade de quais seriam as melhores pessoas para cada departamento. Acho que o facto de não ser um grupo de amigos – claro que espero que venha a ser, porque se o trabalho for bem desenvolvido as pessoas acabam por criar afinidade – e neste momento não o é, e aquilo que tenho aprendido enquanto aluno da faculdade, é que quanto menos relação pessoal melhor a relação profissional, mais os projetos andam para a frente.

Esta é a visão diferente da lista W, em relação às antigas direções, que se calhar tinham uma maneira diferente de ver as coisas, mas os seus projetos iam para a frente na mesma. Não quero com isto dizer que um grupo de amigos não trabalha bem, se calhar trabalha. Mas eu enquanto presidente tenho mais dificuldade em “chamar à atenção” a um amigo do que tenho em “chamar à atenção” a uma pessoa que trabalhe comigo e que tenhas estabelecido comigo uma relação inicial profissional.

FRONTAL: E o que farão de igual? Isto é: quais são para ti as principais forças da actual AEFCML?

JU: A principal força é o trabalho, sem dúvida alguma. A lista W reconhece muito mérito a todos os dirigentes associativos que estiveram nestes 21 anos, pelo menos, de atividade (não conheço todos, claro). Dos que conheço reconheço a capacidade de trabalho que têm: não só aos presidente, mas também aos restantes membros da Associação. Claro que falei com pessoas que me dizem que dá muito trabalho, muito mais do que eu posso imaginar. Claro que este será o tópico que eu tenho que dizer que é aquele que eu admiro mais.

Para além disso admiro a criação e o apoio de Grandes Projectos como é o caso do PECLICUF, do PIATI e da FRONTAL, que voltou a ganhar força novamente este ano, e do iMed, que tem vindo a crescer cada vez mais. São estes os dois tópicos que mais admiro: o trabalho e o apoio a grandes projectos.

FRONTAL: No meio disto tudo, existe uma pergunta que se exige: Porquê o W? Afinal é uma letra praticamente impossível de usar na língua portuguesa, os vossos slogans são todos em inglês…

JU: (Risos) Porquê o W? A nossa lista está aqui para responder a todas as perguntas: “Why? What? When? Where?” e todas essas perguntas começam com o W. Para além disso aquilo que nos propomos a fazer é mudar algumas coisas e mais do que mudar é pegar na mudança e virá-la ao contrário. É tentar fazer algo de diferente continuando sempre os projetos que existem. E dentro dos próprios projectos fazer algo de diferente.

A MISSÃO DA AEFCML

FRONTAL: Passando a coisas sérias: qual é a visão para a AEFCML com a qual te candidatas?

JU: A minha visão para a Associação é uma Associação que tenha bastante representatividade na ANEM (e tem), uma Associação que englobe todos os alunos e não só algum tipo de alunos. Uma associação que não sectarize os alunos, porque todos aqui temos em comum sermos estudantes de Medicina. Apesar de alguns gostarem mais de diversão do que de investigação e outros gostarem mais de investigação do que de diversão, acho que todos somos estudantes de Medicina, todos têm uma palavra a dizer e a Associação deve enquadrá-los.

Em último lugar vou falar a nível interno: penso que a lista W tem uma grande motivação e quer fazer projectos novos e está disposta a trabalhar. Acho que aquilo que vejo são duas listas a concorrer, mas o ideal é serem duas ou mais, para que mais ideias fluam para que possam trabalhar em conjunto independentemente de quem ganha.

FRONTAL: Qual é a missão que a AEFCML deve desempenhar enquanto instituição inserida comunidade escolar da Faculdade de Ciências Médicas? Quais as suas competências e deveres?

JU: O seu principal dever, sem dúvida alguma, é assegurar a educação dos alunos. Daí eu achar que o departamento Pedagógico tem bastante relevância. Para além disso o papel da Associação é aglomerar os alunos, fazê-los sentir-se parte da casa. O aluno quando chega à faculdade quer essencialmente sentir que alguém está à espera dele, que não é um outsider. Eu acho que esse é o principal papel da Associação, assim como dos outros grupos – do Grémio Académico, do Teatro – mas principalmente da Associação de Estudantes.

Para além disso, a Associação serve, no caso dos alunos estrangeiros, para os informar de tudo o que se passa ao chegar, deve ser o amigo que os acolhe e que lhes explica tudo o que se passa na faculdade. Tal como disse ontem no debate a AE deve ter o papel de padrinho do aluno. Ser aquele que zela pelos interesses do aluno a qualquer nível, tanto na educação como a nível didático, de divertimento, tudo. Deve assegurar tanto a parte da diversão como as partes sérias, ainda mais no caso de alunos com dificuldades, principalmente nesses casos.

FRONTAL: Na tua opinião a AEFCML deve reservar a sua acção à Faculdade? Ou estendê-lo ao seu espaço envolvente, ou seja a cidade e a comunidade?

JU: Eu acho que deve estendê-la sempre à comunidade, mas pegando nos seus alunos. Tal como a Associação tem feito até agora, todas as atividades que são feitas  para comunidade são feitas com os alunos das Faculdade. Portanto, a Associação serve para servir os alunos e para servir a comunidade com a ajuda dos alunos.

FRONTAL: Solidariedade ou Responsabilidade Social são dois chavões apresentados como cartão-de-visita por diversas instituições – empresas, associações, etc. – mas muitas vezes acabam por ser muito mais uma fachada do que um conteúdo real. Qual deve ser a postura da AEFCML neste campo?

JU: Deve ser uma postura bastante activa. Daí eu achar muito importante a Associação ter um departamento específico para Acção e Solidariedade Social. Têm sido desenvolvidas bastantes campanhas, quer dentro da faculdade como é o caso dos trabalhos na biblioteca, quer para fora como é o Hospital da Bonecada, o Saúde Porta a Porta. Todos eles, projetos destinados a ajudar quem mais precisa. No caso do Hospital da Bonecada se calhar nem tanto, mas mesmo assim é importante pois apesar de não ser para pessoas desfavorecidas, é importante para ajudar a perceber qual o papel do médico e dismistificar esse mesmo papel na cabeça das crianças.

No caso da nossa Associação não é fachada, e é isso que a lista W pretende continuar. Temos um departamento de Acção Social muito forte e queremos continuá-lo com  iniciativas novas e alargar as que já estão implementadas.

FRONTAL: Associativismo, particularmente ao nível universitário, e política muitas vezes se confundem e misturam. Muitos presidentes de Associações de Estudantes militam em juventudes partidárias. Como vês esta realidade? Uma confusão entre dois mundos idealmente imiscíveis ou unicamente uma convivência saudável?

JU: Acho que é unicamente uma convivência saudável. Não sei se por trás da tua pergunta está o facto de eu pertencer à Juventude Popular. Sou, assumo que o sou, e acho que cada um é livre de ser e de pertencer à comunidade que pretende. Não vou citar artigos, mas o artigo 1º e 2º dos estatutos da AEFCML referem que a Associação é apartidária e arreligiosa, pelo que acho que nem o meu partido, nem a minha religião (nem de nenhuma pessoa) deverão influenciar a Associação para além do que diz no Artigo 4º, ou seja que todos os alunos são bem vindos independentemente da sua orientação política ou religião.

Daí eu achar que deve haver uma convivência saudável e acho que todos quantos têm envolvência política podem trazer muitas coisas positivas para a Associação, como têm de ter cuidado para não trazer coisas negativas. Não me refiro tanto à gestão a nível local da nossa Associação mas principalmente na ANEM onde há assuntos em discussão que são tratados no Parlamento e, como é obvio, eu pretendo que essa minha posição não seja evidenciada lá. Não só por não ser o único membro da Associação, caso a nossa lista ganhe, com representatividade nos órgãos da ANEM. Tenho outras pessoas com outros ideiais políticos na minha lista e acho que todos convivemos de forma saudável. Aí está a minha resposta, a convivência é saudável.

FRONTAL: Achas que as tuas ligações partidárias vão influenciar a tua acção enquanto Presidente? Por outras palavras, consideras que pode haver um risco da politização da acção da AEFMCL, por exemplo ao nível da ANEM ou em questões como a Política Médica?

JU: Gostava de referir que a Juventude Popular (só posso falar da minha, não posso falar de mais nenhuma, porque não conheço) é um órgão independente do partido. Uma pessoa ser filiada na Juventude não significa ser filiada no partido e dentro da Juventude há muitos assuntos que são discutidos que são de uma opinião divergente da do partido. Há muitas questões com opiniões divergentes. Claro que a linha de raciocínio é a mesma, os valores são os mesmos embora haja muitas opiniões. Volto a repetir que em relação à ANEM, tenho mais pessoas na minha lista com diferentes orientações políticas. Eu nunca falei com ninguém, nenhum membro da minha equipa sobre nenhum dos meus projectos da juventude até agora e também não o irei fazer daqui para a frente. Antes de ser militante da Juventude Popular eu sou um estudante de Medicina e um futuro médico. Quero o melhor para os médicos e o melhor para os estudantes de medicina.

FRONTAL: Em última análise: que visão prevalecerá: a da maioria dos alunos, ou a que te ditará os teus princípios político-ideológicos?

JU: Sem dúvida a opinião da maioria, até porque é isso que se aprende numa Juventude Partidária como é a Juventude Popular. A maioria é o que impera, não existe disciplina de voto na Juventude Popular e não existirá disciplina de voto numa Associação de Estudantes dirigida por mim, nunca.

Frontal - Campanha Eleitoral 017.2

DIVÓRCIO DA COMUNIDADE ESCOLAR VS AE

FRONTAL: Apesar de todo o trabalho desenvolvido, ainda existe muito a ideia em parte da comunidade escolar que a Associação “não faz nada”. De que forma reages a este tipo de críticas? São elas válidas ou antes representativas de um afastamento dos alunos em relação à AEFCML?

JU: Não acho que estas opiniões sejam válidas. Talvez haja uma falta de divulgação do trabalho que é feito porque há muito trabalho de backoffice que os alunos não têm noção que é feito. Eu ganhei muito mais esta noção através das conversas que tive com alunos da actual Direcção quando pensei candidatar-me. As pessoas não têm muita noção de todos os protocolos atrás de cada iniciativa que está a ser feita. Acho que este ano esse divórcio vai diminuir porque ao haverem duas listas, em primeiro lugar, os alunos do 1º ano já vão entrar no debate de uma forma diferente. [Pensam]: “Há uma Associação, ela existe mesmo e estou a votar para escolher entre duas pessoas”; é diferente de “vou votar ou não votar na lista que existe.”

Portanto eu acho que esse divórcio vai diminuir. Para além da ideia de divórcio na cabeça dos alunos diminuir, a Associação este ano vai conseguir ela própria diminuir esse divórcio, porque vão haver mais ideias e vão existir mais pessoas a trabalhar sem dúvida alguma. Parece-me que os alunos do 1º ano e dos restantes anos básicos estão cada vez mais a ser incluídos.

ORGANIZAÇÃO INTERNA

FRONTAL: Actualmente, entre os vários departamentos existem níveis de produtividade um tanto desiguais. A lista W tem algum plano de reestruturação em mente de forma a tornar as várias áreas de acção da AEFCML mais uniformes no que toca a resultados?

JU: Sim. A principal estratégia é ter várias actividades em que os departamentos não trabalham por si só, mas trabalham em parceria. Se tenho, apenas a título de exemplo, um departamento científico que trabalha muito bem e um departamento cultural que trabalha menos bem,  acho que aliar estes dois vai fazer com que o menos bom suba ao nível do bom. Além disso, a lista W aposta nas pessoas mais fortes para cada departamento e todos estes estão assegurados. Claro que existem uns mais fortes que outros, mas acredito que todos os departamentos estão assegurado e o facto de existir duas listas vai ser sempre melhor porque as pessoas do departamento de uma lista vão colaborar com a outra e vão trazer as suas ideias certamente e tornar tudo mais produtivo.

FRONTAL: A situação financeira da AEFCML é para ti uma preocupação?

JU: Sobre este tema devo admitir que sou claramente menos experiente e não sei exactamente qual é a situação neste momento. Como digo a lista W é recente, é uma equipa que mostrou uma grande capacidade de trabalho, pelo facto de ter sido formada recentemente e mesmo assim ter conseguido  avançar com uma boa campanha.

No entanto, houve coisas para as quais não tivemos a possibilidade de conseguir informação. As contas este ano ainda não estão terminadas. Mas creio que, independentemente de se saber qual é a situação ou não, a lista W está preparada para apostar num Recreativo forte – que é uma das fontes de rendimento da Associação – embora não queiramos atribuir esse papel ao Recreativo. Este não existe apenas para dar lucro. Existe para dar uma boa convivência na Faculdade aos alunos e, se se puder associar a parte lucrativa melhor.

Em relação a novos projectos para atrair mais lucro, digo que o principal são os Med Tutorials, que são vídeos disponibilizados no Youtube. Se calhar, num futuro não tão próximo e, dependendo do número de visualizações por parte dos estudantes desta e de outras faculdades, possam vir a trazer, através de publicidade, algum lucro para a AEFCML.

FRONTAL: Disseste que quanto ao financiamento não tens tanta informação, mas no debate de  ontem (quarta-feira) a Lista W foi acusada de não ter procurado informação junto à antiga Direcção. Como respondes a estas críticas?

JU: Respondo a esta crítica em primeiro lugar agradecendo-a, porque de facto não a procurámos. Eu pessoalmente não a procurei. Mas a verdade é que não é fácil para uma pessoa da lista intitulada de “não continuidade” sentir abertura suficiente para o puder fazer. Acredito que houvesse e lamento o facto de não ter abordado as pessoas. Mas essa não é a postura que transparece e não foi a postura que transpareceu para mim.

FRONTAL: A AEFCML, em comparação por exemplo com AEFML, tem receitas fixas parcas. Existe necessidade de mais dinheiro para a Associação poder desenvolver as suas actividades de forma eficiente? Se sim, como propõe a lista W que seja feito o reforço do financiamento? Além do que mencionaste anteriormente com os Tutorials e as Receitas do Departamento Recreativo.

JU: Apostar sem dúvida nos patrocinadores. Tentar aumentar alargar a adesão dos alunos a tornarem-se sócios. Creio que é o principal, não só como fonte lucrativa mas em termos de produtividade na Associação isso é fundamental.

GRANDES PROJECTOS

FRONTAL: De ano para ano, os Grandes Projectos estão cada vez maiores. Se a Lista W vencer as eleições, qual será a estratégia da DAEFCML relativamente a esta área?

JU: Relativamente a esta área gostava de distinguir dois Grandes Projectos: a FRONTAL e o iMed. A lista W defende que, em relação a estes ou qualquer outro projecto, antes de nos estarmos a candidatar a uma Associação de Estudantes somos alunos [da Faculdade de Ciências Médicas]. Pelo que aquilo que queremos é o melhor iMed possível e a melhor FRONTAL possível.

De tal forma que, sabendo que as pessoas com a competência para tal (competência essa que foi admitida pelos antigos dirigentes) se encontram ligadas à lista M, a lista W estaria disposta  a assegurar alguém que pudesse assegurar esses projectos, mas sempre contando com a colaboração de quem mais sabe sobre o assunto.

Daí, ontem no debate, não ter querido de forma alguma ofender ninguém em concreto, muito menos alguém destes que são dois Grandes Projectos desta Faculdade. A lista W está disponivél e quer contar com a colaboração das pessoas que mais sabem sobre estes projectos e quer que a opinião das pessoas que estão dentro da organização destes projectos seja a mais prevalente dentro da Associação.

FRONTAL: Como esperas levar adiante alguns Grandes Projectos da AEFCML se a Lista W não conta com o apoio de nenhum dos membros das comissões organizadoras anteriores? Será possível manter a fasquia tão alta quanto, por exemplo, o iMed 5.0 estabeleceu?

JU: Sim. Não apenas no iMed mas também na FRONTAL. A FRONTAL foi já assegurada; existem colaboradores da FRONTAL na lista W. Apesar de não haver ninguém na lista W que tenha pertencido à organização do iMed a lista W tem pessoas com muita capacidade para levar o iMed para a frente, contanto com o apoio de uma passagem de pasta da Comissão Organizadora anterior. Mas garantidamente temos capacidade para levar o iMed para a frente.

FRONTAL: Depois dos êxitos neste último mandato, as expectativas são altas e qualquer evento menos bem-sucedido poderá ser visto como fracasso. Como é que lidarão com a pressão de alcançar a excelência?

JU: Enquanto lista acho que a lista W está pronta para aceitar esse desafio. A lista W é uma lista muto aberta a novos desafios e muito trabalhada e acho que isso ficou provado. Eu sei não são duas semanas que provam o trabalho de uma pessoa pois existe, como é óbvio, um entusiasmo inicial que eu espero que seja mantido durante todo o ano. No entanto a lista W está para dar a cara aconteça o que acontecer e acredita no melhor para qualquer um dos projectos, não só para os Grandes Projectos mas para os outros. E as suas ideias novas podem ser tornadas em Grandes Projectos também.

FRONTAL: Quais são os planos da Lista W para o Projecto Saúde Porta-a-Porta?

JU: Gostava de felicitar a Teresa Nóbrega por tê-lo iniciado enquanto Vogal do departamento de Acção Social. Como disse anteriormente, o nosso departamento de Acção Social é muito forte e pretendo sem dúvida continuar este projecto. Para isso pretendo, para já, que se alargue o número de inscrições e que haja uma seriação dessas inscrições que não a ordem de inscrição; porque é importante saber que as pessoas que vão trabalhar nesse projecto querem de facto e iremos certamente pensar na melhor forma de as escolher. Esperamos até que não seja necessário escolher e que haja tantas vagas quantas as que as pessoas que se inscrevem.

FRONTAL: Este ano o Hospital da Bonecada esgotou as suas vagas num ápice. Qual a tua visão futura para esta iniciativa?

JU:  A minha visão para esta iniciativa é mantê-la, como é óbvio. A lista W tem duas pessoas destacadas para esta tarefa, porque pretende assegurar o Hospital da Bonecada e iniciar um novo projecto: o Mini Hospital da Bonecada. Este tem como objectivo também o desmistificar da bata branca, mas em escolas e sítios com crianças e não no Centro Comercial Colombo, como é actualmente o Hospital da Bonecada.

DEPARTAMENTOS

FRONTAL: Este ano, terminaram duas equipas desportivas femininas (futsal e basquetebol) e uma masculina (voleibol). Segundo os responsáveis estas tinham uma percentagem muito pequena de jogadoras pertencentes à FCM-NOVA. O futuro reservará novos fins de equipas semelhantes ou, pelo contrário, uma renovação do investimento neste campo?

JU: Sem dúvida, uma renovação do investimento – nem que seja publicitar e dar a conhecer aos alunos que existe essa possibilidade. Claro que cabe depois aos alunos saber se têm disponibilidade para pertencer a uma equipa da faculdade. Mas acho que é importante dar a conhecer, porque nem sempre os alunos sabem do desporto universitário. E, se não houver participantes suficientes quer para uma equipa masculina ou feminina, há sempre a possibilidade de se fazer uma equipa mista. Há faculdades com esse tipo de iniciativa. E mesmo que tal não seja possível pela fraca adesão dos alunos para desporto universitário “sério”, mais regular, a associação pretende fazer outras iniciativas desportivas que chamem os alunos e que os levem, talvez, a querer tornar a sua prática desportiva mais regular e entrar numa das equipas.

FRONTAL: No programa de campanha da Lista W, diversos Departamentos sugerem a renovação do site da AEFCML, quer seja de forma a incluir uma nova plataforma do MOVE ou uma bolsa de voluntariado. Achas urgente renovar o site da AEFCML? Em que contornos e com que objectivo?

JU: Sim, acho urgente. Não só em termos de organização mas também em termos de disponibilidade informática. Não é um site de fácil navegação, nem tudo o que parece estar disponível é descarregável. Sei que é difícil alterar, porque é um domínio da NOVA, mas acho que com trabalho isso é possível.

Se não, adaptar: uma proposta da lista W é fazer uma aplicação, que é algo que, claro, dará trabalho. Mas penso que com as novas tecnologias de hoje em dia é fundamental a AEFCML ter uma aplicação onde todos os alunos muito facilmente, com o seu smartphone, soubessem novidades e recebessem notificações de tudo o que acontece sem terem de o procurar. A vantagem da aplicação é [o facto de ser a] notificação a aparecer. A informação vai de encontro ao aluno em vez de ser o aluno a procurar a novidade.

FRONTAL: Não pensas que essa função que propões está já a ser desempenhada através da página ou grupo de Facebook da AEFCML e através da sua newsletter?

JU: Está a ser desempenhada, sim. Em relação à newsletter não posso falar muito porque, como sabem, eu associei-me este ano e nunca a recebi.

Em relação [à página e grupo] do Facebook: imagina que faço parte do grupo da AEFCML e recebo uma notificação. Eu vejo essa notícia mas, se quiser ter acesso a outras notícias, terei de ir ao site procurá-las. Enquanto que se eu tivesse uma aplicação eu receberia essa notícia e, à distância de um deslizar de dedos, teria todas as informações da Associação de Estudantes. A dinâmica seria mais rápida.

FRONTAL: Falando do Departamento de Relações Internacionais: este é um dos que incluiu no programa mais propostas. Porém pelo menos uma já foi implementada (banco de testemunhos dos alunos da FCM-NOVA que fizeram Erasmus).  Queres comentar?

JU: Não é um banco de testemunhos que se pretende. Esse, sim, existe, é certo. Mas aquilo que se pretende é mais do que  um local onde os alunos podem saber qual foi a experiência de um aluno [que fez Erasmus anteriormente] –  é um local onde os alunos podem saber de antemão, ou seja antes de se candidatarem, qual o funcionamento exacto da faculdade, qual é a abordagem dos professores, qual foi a cadeira que escolheram, o porquê e motivações da escolha, qual o semestre que o aluno deverá fazer naquele sítio… Esse tipo de questões, mais concretas.

Frontal - Campanha Eleitoral 012.2

RELAÇÕES EXTERNAS

FRONTAL: Uma das faces menos visíveis da AEFCML é a sua participação na ANEM. A opinião dos estudantes da FCM-NOVA tem sido feita ouvir? Pensas que a ANEM tem capacidades para ser ouvida junto das instituições decisoras?

JU: Acho que a ANEM tem muita capacidade para ser ouvida, sem dúvida alguma. Não fosse a junção de todos os cursos de Medicina do país, junção de que todos temos orgulho. Para além disso, um assunto como a Medicina – que é sempre referido em qualquer telejornal e é sempre um assunto actual – é muito actual e de interesse.

Em relação à participação da Associação de Estudantes na ANEM, essa, para mim, é uma das mais ocultas –  é uma das áreas que trabalham em backoffice e sobre as quais os alunos por vezes não têm noção. Eu sei que essa é a parte que dá mais trabalho, e é a parte que gasta mais dinheiro, talvez, que vem de cada um de nós. Eu sei que o Presidente [da ANEM] dá muito de si, e que por vezes tem de financiar o seu próprio interesse em acções comuns como as da ANEM, infelizmente. Mas acho que a nossa Faculdade de Ciências Médicas – sempre me falaram em apresentações na nossa Faculdade. Acho que, para além disso, para deixar de haver esse estigma de que a nossa Faculdade não tem uma boa relação com a ANEM ou de os alunos não a terem, a Associação deve explicar mais aos alunos aquilo que faz efectivamente.

É isso que eu acredito. Só numa altura de campanha, como esta, é que se explica exactamente aos alunos aquilo que acontece numa Associação de Estudantes. Claro que existindo uma lista única isso acontece: é feito um site e uma página de Facebook, onde a lista põe as suas ideias. Mas o facto de haver mais ideias e a pessoa ter que decidir por que ideias vai votar, faz com que seja mais explicado o papel que a Associação de Estudantes tem.

EDUCAÇÃO MÉDICA

FRONTAL: Durante o debate, propuseste uma postura diferente no campo da Educação Médica. Foi dos primeiros pontos referidos, aliás. Qual será exactamente o plano de actividades? Como achas que as propostas feitas pelo departamento de Educação Médica poderão ajudar a criar uma mudança no paradigma pedagógico da faculdade?

JU: Quem conhece e mantém contacto com as pessoas que estão no departamento da Educação Médica da lista W sabe que são pessoas que lutam bastante pelos seus ideais. E sabe que são pessoas de mérito e que são pessoas que têm muita capacidade de execução e de se afirmar para defender os alunos. Daí a ambição deste departamento.

Claro que a relação com a Direcção da Faculdade é sempre uma área muito difícil mas eu acho que a ambição deste departamento ultrapassa isso. Ultrapassa no sentido em que pretendemos que isso seja contornado. Ou seja (tal como foi falado a respeito dos inquéritos) mesmo que a Direcção não esteja disposta a publicá-los, como aconteceu no ano passado como disse a actual representante do departamento de Educação Médica, a Associação pretende, mesmo que não possa ser publicado, colmatar as falhas identificadas por outras vias, como é o caso dos Med Tutorials e como é o caso de aconselhar os alunos em qual é a área onde a formação será melhor.

Em relação a outras iniciativas, acho que o workshop de enfermagem é muito importante e espero sinceramente que haja adesão quer da Direcção da Faculdade quer da lista M – caso a lista W não seja vencedora – em levar esta iniciativa para a frente. Eu acho que um aluno de Medicina está preparado para a prática clínica, muitas vezes não tão bem como nós gostaríamos. Todo o aluno tem medo de não estar suficientemente bem preparado. No entanto nós estamos preparados para o que acontece em Portugal, não estamos preparados para o que pode acontecer na China. Na China um médico pode ser obrigado a algaliar. Hoje tive oportunidade de conversar com duas alunas do 6º ano que me disseram que no serviço onde estão neste momento são elas quem têm de fazer esse procedimento. Por isso eu acho muito importante apostar nessa área. Acho que é um departamento ambicioso, que pretende colaborar com a Direcção da Faculdade. Mas se não for possível essa colaboração, a Associação tem de a colmatar falhas por outras vias.

FRONTAL: E se falhar esta colaboração com os órgãos da Faculdade, poderá estar aberta a via do protesto?

JU: Não. Acho que é importante estar organizado, sem dúvida alguma. Mas eu acho que os alunos têm a liberdade de se manifestar. Todos os alunos devem sentir que têm a apoiá-los uma Associação que defende os seus interesses. E, se é do interesse da maioria dos alunos que as coisas sejam levadas para a frente, de facto, com bom senso, as coisas têm de ser apresentadas à Direcção da Faculdade e mostrar que esta é de facto a opinião da maioria dos alunos. Não digo uma manifestação, mas outras formas de protesto que existam sem dúvida alguma e que se possam fazer na Faculdade

FRONTAL: Recentemente, a FRONTAL publicou um vasto inquérito no qual se verificou que uma parte significativa dos alunos não se encontra particularmente satisfeito com a Reforma Curricular aplicada desde há dois anos. Qual poderá ser o papel da AEFCML para contribuir para a amenização deste mal-estar?

JU: Eu acho que a Associação tem de identificar as principais queixas. Aquilo que se verificou foi que os alunos estão descontentes, mas é preciso identificar concretamente com o que é que estão descontentes: se é com aquela Unidade Curricular, ou outra, se é com uma forma de avaliação ou com outra. É preciso identificar com o que é [que os estudantes estão descontentes], em concreto.

Para além disso eu acho que a Associação já está a desenvolver esse trabalho com a Direcção, no sentido em que há coisas que têm vindo a ser alteradas: há coisas em que realmente a voz dos alunos se fez ouvir. Já houve alterações. Para o actual 3º ano, a forma como tiveram as suas Unidades Curriculares já não é a mesma e isso mostra que a voz dos alunos é minimamente ouvida e continuará a ser ouvido pela Associação. E esta vai continuar a fazê-los ser ouvidos e para além disso vai tentar fazer estudos para perceber se haveria outras hipóteses que correriam bem também. Não é só identificar as falhas mas também alternativas para estas serem resolvidas. Eu acho que os alunos do novo Plano Curricular devem ser convidados a apresentar essas alternativas também.

POLÍTICA MÉDICA

FRONTAL: Nos últimos tempos temos recebido notícias preocupantes em relação à nossa futura carreira médica. Pela primeira vez em muitos anos fala-se em desemprego e na possibilidade de não existirem vagas suficientes para o Internato. Qual deve ser o papel da AEFCML no meio deste tornado? Poderá ela ter uma atitude activa na defesa dos interesses dos seus representados?

JU: Claro que sim. A Associação tem que ter um papel activo naquilo que virá a ser o papel dos estudantes que representa neste momento. A AEFCML não pode pensar apenas no agora, tem de pensar no futuro. A equipa que se encontra na Direcção da Associação será aquela que os alunos se lembrarão quando forem médicos e, muitas vezes, será aquela que estará agora a tomar decisões que se irão repercutir quando forem médicos.

Aquilo que a Lista W propõe para o departamento da Educação Médica relativo à falta de emprego é a realização de um Dia de Educação Médica que explore outras saídas profissionais. Claro que a maioria dos alunos pretende seguir a prática clínica, embora conheçamos muitos professores da nossa Faculdade que não a seguiram e são felizes porque têm outras orientações. Existem variadíssimas áreas por onde o estudante de Medicina pode enveredar como é o caso da gestão hospitalar, como é o caso de companhias farmacêuticas. Acho que aquilo que tem vindo a ser falado é apenas a clínica ou a investigação, mas existem muitas outras possibilidades e a Associação tem que, não só lutar pelos interesses da clínica, mas também salvaguardar-se e informar os alunos de que existem outras áreas de saída.

FRONTAL: A “morte” do velho Harrisson e a sua substituição pela nova Prova Nacional de Seriação (PNV) está agendada para 2015. Porém, existem ainda muitas questões a esclarecer, desde o próprio modelo da prova até à possibilidade da sua consulta. Qual é a tua opinião sobre esta questão e de que forma a AEFCML agirá caso sejas eleito?

JU: A associação tem de reunir, como é óbvio, uma opinião de todos os alunos em relação a isto – tem de reunir não só a opinião dos alunos da nossa Faculdade como tem de ouvir a opinião dos alunos de outras faculdades. Tem de ouvir a opinião de quem já trabalha, de quem já passou pela actual PNV, para saber realmente se é uma prova que faz sentido ou não. Os moldes da nova PNV é algo que preocupa os actuais estudantes de Medicina. Não só os moldes da sua avaliação, como os moldes da sua consulta. Eu acho que a AEFCML tem de saber quais serão esses moldes, informar os alunos para os alunos expressarem a sua opinião antes desses moldes irem para a frente. E a Associação deve depender sempre dos interesses dos alunos, como é óbvio.

TRADIÇÃO

FRONTAL: Uma pergunta sobre a Praxe Académica. Obviamente, esta não se encontra na jurisdição da AEFCML, mas acaba sempre por conviver com diversos eventos organizados por ela. Sendo assim, qual será a posição da AEFCML em relação a esta caso a Lista W seja vencedora?

JU: A lista W pretende continuar a colaborar com os outros grupos, nomeadamente com o Grémio Académico. Mas é preciso também referir que a praxe é assegurada pelo Grémio Académico, mas há momentos que também fazem parte dos momentos da Associação. A lista W pretende sim, incentivar esses momentos importantes, especialmente para que haja uma integração dos alunos. E se a Associação quer que, para além de os alunos se integrarem uns com os outros, se integrem com ela também, tem de procurar esses eventos e procurar a praxe efectivamente.

FRONTAL: E não poderá haver abertura a uma integração dos estudantes numa lógica não praxista? Já há praxe académica promovida pela associação?

JU: Já há e acho que deve existir. Aquilo que eu respondi  na pergunta anterior não quis dizer que a Associação de Estudantes, caso a lista W vença, vá apenas tentar abranger os alunos que são a favor da Praxe. Qualquer aluno é livre de ser a favor ou contra a Praxe, mas, independentemente disso, o aluno tem de ser integrado. Portanto tem de haver iniciativas e daí a Associação de Estudantes não gerir a Praxe. A AE colabora com a Praxe mas, de forma a abranger outros alunos; ela não a gere.

FRONTAL: A última pergunta é muito simples… Nem é bem uma questão, é mais uma sugestão. Que mensagem, se existir alguma, gostarias deixar à presidente da lista M?

JU: Existe. Aproveito este meio de comunicação para fazer chegar esta mensagem. Primeiro, dar os parabéns pela candidatura. Acho que é sempre importante uma pessoa candidatar-se. Parabéns pela equipa que reuniu. Para além de a felicitar, a mensagem que quero deixar é: independentemente da lista vencedora as duas listas devem colaborar em conjunto porque se viu este ano na FCM-NOVA, grandes ideias, uma grande campanha e pessoas com capacidade de trabalho. Eu acho que isso é muito importante para levar uma Associação para a frente, por isso digo: Teresa, se a lista W ganhar, estás completamente convidada a colaborar connosco, assim como a tua equipa e espero que o contrário também aconteça.