Eleições: Entrevista a Teresa Nóbrega

Frontal - Campanha eleitoral 018.2
Fotografia: Pedro Palma | Coordenação: Luís Afonso Cunha

Colaboração: Mónica Paes Mamede, Joana Dionísio, Tomás Bandeira e Marta Batista

PÁGINA DA LISTA M

As entrevistas aos candidatos Teresa Nóbrega e João Ulrich realizaram-se, respectivamente, nos dias 29 e 31 de Outubro. Por incompatibilidade da agenda do João Ulrich, só foi possível concretizar a sua a seguir ao Debate de quarta-feira, 30 de Outubro. Considerando poder existir alguma injustiça nesta disposição por violação de um princípio de igualdade de circunstâncias e procurando equilibrar esta situação, a FRONTAL, em contacto com a Mesa da Assembleia Geral,  propôs à candidatura da Teresa Nóbrega a inclusão de novas perguntas a realizar pós-debate. Eis a resposta da Lista M: «A Teresa considera que o debate fala por si e que manteve uma postura coerente e integra ao longo de toda a semana. Posto isto, não lhe faz sentido acarretar qualquer tipo de comentário pós-debate».

Encontrámo-nos com a Teresa num intervalo de actividades de campanha da Lista M. Durante mais de uma hora falou descontraidamente connosco sobre propostas da Lista M, sobre o seu passado enquanto coordenadora do departamento de Acção Social e criadora do Grande Projecto Saúde Porta a Porta. Mais tempo tivéssemos, muitos outros assuntos teríamos discutido.

FRONTAL: Antes de mais um muito obrigado por teres acedido conceder-nos esta entrevista. A primeira pergunta é de praxe, para começar de forma tranquila: porque razão te candidatas à Direcção da AEFCML? Na tua opinião, o que faz de ti a pessoa ideal para seres a próxima presidente?

TN: Faço parte da Direção da AEFCML há dois mandatos, o que me permitiu ir observando tanto como a AEFCML funcionava, assim como as coisas que correram bem e as que iam correndo mal.

Ao longo deste dois anos fui efetivamente encontrando coisas que pensei “Muito bem feito!” e coisas em que pensei “Eu gostava de ver isto diferente como aluna, como membro da AEFCML, como estudante de Medicina”. Portanto sempre me interessei bastante por poder marcar estas diferenças. Será que há colegas meus com a mesma opinião que eu? Será que há colegas que querem ver isto diferente?

Acho, pois, que os estudantes desta Faculdade merecem pessoas que estejam disponíveis para dar o seu tempo, para que eles possam ter as ferramentas necessárias para poderem construir o seu futuro, para desenvolverem atividades e para defendê-los, pois tem de ser essa a linha de uma Associação de Estudantes.

FRONTAL: Achas que podes ser essa pessoa? Que tens as caraterísticas necessárias para seres a próxima Presidente, e quais são elas?

TN: Creio que é preciso um grande espírito de serviço, de paciência e um espírito de líder. Conseguir reunir uma equipa de 30 pessoas não é tarefa fácil, conseguir coordená-las também não é uma tarefa fácil e eu acho que tenho essa capacidade. Capacidade que fui ganhando ao longo dos anos. Obviamente não sou a melhor líder do mundo, mas é algo que se vai construindo e que a minha experiência me permitiu construir.

FRONTAL: Na Direção transata, foste responsável pelo departamento de Ação Social. Quais foram os maiores feitos e maiores dificuldades? O que ficou por fazer nesta área?

TN: O departamento cresceu bastante este ano, não só comigo mas com os dez colaboradores que eu tinha a trabalhar comigo. Tudo o que nós conseguimos fazer foi graças a esse trabalho em equipa. Nós conseguimos avançar com o Projecto Estefânia, conseguimos desenvolver Workshops que chegaram aos alunos como o de Língua Gestual, assim como executar projetos que já se mantinham de Direções anteriores. Focámo-nos muito no Projecto Estefânia, pois, apesar de já haver um projecto de voluntariado hospitalar, era necessário algo de maior interesse para os alunos e decidimos dedicar muito dos nossos esforço para tal.

O departamento de Ação Social tem uma componente interna e uma componente externa. A componente externa é virada para a comunidade como o voluntariado e ações que fomos fazendo ao longo do ano. A vertente interna corresponde ao apoio que damos aos alunos em dificuldade, aos bolseiros e à atenção que damos neste contexto de crise aos nossos colegas que podem ver dificultado o seu desempenho na Faculdade por motivos financeiros. Nesse sentido, fomos promovendo o trabalho na Biblioteca e agora o trabalho na Reprografia.

Contudo senti que era preciso fazer mais, é preciso fazer mais por estes alunos: descobrir os melhores meios para os identificar sem por em causa a sua privacidade é uma questão a ser trabalhada sempre e nunca esquecida pois é muito sensível, muito difícil e que exige bom senso, e portanto é preciso um trabalho muito contínuo.

FRONTAL: Continuando na área do teu antigo pelouro: solidariedade ou responsabilidade social são dois chavões apresentados como cartão-de-visita por diversas instituições – empresas, associações, etc. – mas muitas vezes acabam por ser muito mais uma fachada do que um conteúdo real. Achas que na AEFCML isto é uma realidade ou uma fachada? Qual deve ser a postura da AEFCML neste campo?

TN: Discordo totalmente de que seja uma fachada pelo envolvimento que vi por parte dos alunos não só em projetos de Ação Social, como no novo Grande Projecto que surgiu no ano passado (o Saúde Porta a Porta), em que nós tentámos aliar tanto a componente da solidariedade, como as competências necessárias ao futuro médico. Estando na organização destes projetos eu vi realmente que trouxeram resultados, os alunos vieram ter connosco com resultados. Aqui há pouco tempo um colega nosso fez um trabalho incrível com uma senhora não só a nível social mas também médico.

Nós achamos que a linha da Associação [no que toca à Acção Social] deve ser não só olhar para a solidariedade social mas também ter em conta o que estamos a fazer e quem são os futuros médicos da nossa Faculdade. É importante a componente humana? Não é importante? Na minha opinião, é fundamental. E gostava de vincar ainda mais que a Associação deve dar ferramentas aos alunos para que se desenvolvam o melhor possível e para que sejam os melhores médicos.

FRONTAL: Que outros projetos pensas que ficaram por terminar na Direção que cessará agora funções?

TN: Uma das coisas que eu identifiquei, e que é no fundo a linha de trabalho da lista M, é a proximidade com os estudantes. Nós achamos que muitos estudantes estão afastados, não contam e não vêm ter connosco. Há muitos problemas sobre os quais nós não temos informação, porque está a falhar alguma coisa. É nessa linha que a lista M, e eu como Presidente da AEFCML, caso seja eleita, quero agir. Queremos aproximar os estudantes para perceber o que precisam, pois se não chegarem até nós e nós não chegarmos até eles, não conseguimos fazer nada  para melhorar o trabalho dos estudantes, da Associação e da Faculdade.

FRONTAL: Apesar de todo o trabalho desenvolvido, ainda existe muito a ideia em parte da comunidade escolar que a Associação “não faz nada”. De que forma reages a este tipo de críticas? São elas válidas ou antes representativas de um afastamento dos alunos em relação à AEFCML? Qual achas que deve ser a resposta da AEFCML?

TN: Quando há uma culpa nestas situações nunca é de uma só parte. Acho que tanto há alunos afastados efetivamente, há alunos que se procuram informar menos e há alunos que se tentam informar sempre nas melhores condições.

A Associação por seu lado também falha, na medida em que deveríamos e temos de pensar: “O que falta? Porque não estamos a receber queixas dos alunos? Porque é que não sabemos o que faz falta aos alunos?”. Sim, sem dúvida que a Associação tem culpa. E para mudar a situação queremos criar um plano lado a lado, estando com as pessoas na Faculdade, sabendo o que os alunos pensam. Queremos fazê-los chegar até nós, fazê-los perceber que se têm um problema seja com o bar, com a reprografia, com a biblioteca, com um professor, com uma Unidade Curricular, podem entrar em contacto com a Associação e que há lá pessoas disponíveis para os ouvir e para juntos procurarmos soluções para esses problemas.

FRONTAL: Pensas que a fraca afluência das Reuniões Gerais de Alunos (RGA) não é também um exemplo deste afastamento?

TN: Sem dúvida, sem dúvida. Tanto enquanto estudante como membro da Direção cessante sinto uma grande frustração quando vejo que há Reuniões Gerais de Alunos em que se tratam assuntos importantes, nomeadamente na fase em que estamos a passar, com uma fraca adesão…

FRONTAL: Mas por exemplo, quando se discutiu a nova Prova Nacional de Seriação, vimos o Anfiteatro cheio. Como explicas esta diferença entre RGA’s que são assistidas por mais de 300 alunos e outras por 30?

TN:  30 ou menos, até menos! Acho que tem que ver com o interesse dos temas em si. Os alunos neste momento também começam a consciencialisar-se que é o futuro dos estudantes de Medicina que está em causa e portanto também têm a sensibilidade de se aproximar mais. Talvez, também não houve tanta divulgação ou a Associação divulgou muito em cima da hora. Como eu digo é um trabalho que tem de ser feito lado a lado sempre, para aproximar. Por vezes, os nossos alunos podem não perceber porque é importante estar em determinada RGA. Por exemplo, na apresentação do Plano de Actividade da AEFCML. Temos de pensar nisso.

FRONTAL: Passando a coisas sérias. Qual é a visão para a AEFCML com a qual te candidatas? Peço-te que resumas as tuas ideias em três tópicos.

TN: Proximidade, sem qualquer dúvida. Estar com os alunos e perceber o que é preciso. Porque só assim vamos conseguir desenhar o nosso plano estratégico, o que queremos fazer. O que vamos conseguir depende [da resolução] desta quebra que há entre a Associação e alguns estudantes.

Dar voz aos estudantes no que diz respeito à Direção da Faculdade e em colaboração com a ANEM [Associação Nacional dos Estudantes de Medicina]  nas questões da Política Médica, ou nas questões sobre a nova Prova Nacional de Seriação (PNV).

Melhorar os Grandes Projectos que a AEFCML já tem. Identificar o que funcionou pior, melhorando-o, e trazer sempre novidade à Associação.

FRONTAL: A Lista M afirma-se como sendo a lista da continuidade, mas na realidade apenas três caras se traspõem da Direcção anterior. Como é possível uma continuidade nestes moldes?

TN: É possível a continuidade na medida em que uma grande parte da lista é constituída por pessoas que colaboraram de forma ativa na Associação e cujo trabalho conhecemos ou por pessoas que estavam à frente dos departamentos anteriormente. Por outro lado, quando surgiu a ideia de me candidatar a presidente achei que era fundamental reunir ideias novas e experiência. Não pode ser uma lista totalmente de repetição, porque precisamos de nos re-inventar sempre. As condições mudam, a sociedade muda, e portanto precisamos sempre de ver outras perspetivas. Pessoas de fora trazem sempre novas perspetivas que nos podem ajudar a pensar “Calma, nós estamos a fazer isto assim, mas se calhar podemos fazer de outra maneira” e se calhar essa outra maneira é a melhor maneira de fazer uma coisa bem feita. Foi nessa óptica que eu construí a minha equipa.

FRONTAL: Tradicionalmente a nossa Associação de Estudantes é dirigida seguindo uma lógica de continuidade – cada nova Direcção recebe da anterior diversos membros que seguem mais ou menos a linha traçada até então. Efectivamente, desde 2010 não existem duas listas adversárias a concorrem à direcção da AEFCML. Porém, desta vez é diferente. Como vês tu esta novidade?

TN: Quando soube – quando sairam as listas candidatas – fiquei honestamente contente porque acho que o facto de haverem duas listas só demonstra maior interesse por parte dos alunos e maior discussão. E dessa discussão só podem vir melhores resultados. Só mostra que os alunos estão preocupados com o futuro, estão preocupados com o trabalho da Associação, e portanto acho fundamental e de louvar que este ano possamos ter oportunidade de discutir e partilhar ideias, trazidas tanto de um lado como de outro, para a Associação.

FRONTAL: A Lista W tem estado numa actividade febril durante esta campanha, organizando diversos eventos ao longo da semana. A Lista M não. Ficaste surpreendida? Pensas que a lista W preparou a campanha com mais empenho?

TN: A lista M tem uma identidade, e essa identidade baseia-se muito naquilo que queremos fazer com os aluno. Portanto, temos estado durante a semana disponíveis para falar com os alunos, ouvir os alunos, ouvir os nossos colegas, receber sugestões. Acreditamos que o nosso plano de candidatura está bem estruturado, a nossa linha de campanha é feita passo a passo e baseada no que queremos fazer no futuro. Como propomos projetos concretos, actividades concretas e uma linha de acção concreta na defesa dos alunos, considerámos que os alunos têm de ter tempo para refletir nas propostas de cada lista. Os alunos  devem votar conscientes do conteúdo que cada lista propõe.

A MISSÃO DA AEFCML

FRONTAL: Qual é a missão que a AEFCML deve desempenhar enquanto instituição inserida comunidade escolar da Faculdade de Ciências Médicas? Quais as suas competências e deveres?

TN: Eu acho que o papel fundamental da Associação de Estudantes é defender os interesses dos estudantes; é representá-los. Mais do que [realizar] actividades, uma palestra, ou um projecto de voluntariado, as Associações surgiram para defender os interesses dos estudantes, ou seja para  fazer ouvir uma voz, para percebermos o que queremos para o futuro. Na minha opinião, a principal linha de acção de uma AE tem que ser essa partilha de opiniões, essa troca de informações, para que possamos defender ao máximo o maior número de alunos, para os podermos representar nas entidades competentes. Como é o caso da Direcção da Faculdade, como é o caso da Universidade NOVA de Lisboa, ou como é o caso – que começa a tomar certa proporção – do próprio Ministério [da Saúde].

Eu acho que esta tem que ser sempre a linha essencial da AEFCML: defender o futuro do estudante. Complementando com formação, com actividades que tragam vantagens às suas competências em relação a outros estudantes de Medicina e também promovendo o convívio e a integração dos alunos como estudantes de uma mesma entidade, de uma equipa, de uma faculdade unida. Aliás, acho que a representação da FCM passa muito pela união dos alunos e pelo que cada aluno sente na sua faculdade: se se sente bem, se se sente integrado, se se sente ouvido. Pessoalmente, creio que a AEFCML deve caminhar neste sentido.

FRONTAL: Na tua opinião a AEFCML deve reservar a sua acção à Faculdade? Ou estende-la ao seu espaço envolvente, ou seja ao bairro, à cidade, à comunidade em geral?

TN: Sim, sem qualquer dúvida! Acho que o estudante está integrado na sua faculdade. E a faculade está integrada num bairro, numa cidade, num país e no mundo. Portanto, é importante encontrar as melhores ferramentas para que essa integração seja a mais harmoniosa possível.

FRONTAL: Associativismo, particularmente ao nível universitário, e política muitas vezes se confundem e misturam. Muitos presidentes de Associações de Estudantes militam em juventudes partidárias. Como vês esta realidade? Uma confusão entre dois mundos idealmente imiscíveis ou unicamente uma convivência saudável?

TN: Eu acho que pode haver uma convivência saudável. Mas acho que uma AE deve ser, sem qualquer dúvida, neutra, sem qualquer tipo de representação partidária. Eu vejo a AEFCML como um lugar de responsabilidade social. Tal como me proponho em ser presidente, sinto que têm de existir pessoas prontas a dedicar o seu tempo a estas questões. Têm que ser sempre abrangidos todos os alunos. Acho que não se devem misturar ideologias políticas com as linhas de acção das Associações de Estudantes.

Frontal - Campanha eleitoral 011.2

ORGANIZAÇÃO INTERNA

FRONTAL: Actualmente, entre os vários departamentos, existem níveis de produtividade um tanto desiguais. A lista M tem algum plano de reestruturação em mente de forma a tornar as várias áreas de acção da AEFCML mais uniformes no que toca a resultados?

TN: Sim. A candidatura da Lista M propõe alterações na estrutura da Associação. Nomeadamente a fusão de alguns departamentos, como Saúde Pública com [Saúde] Reprodutiva e [ainda] Recreativo com Cultural. Não diminuindo o número de pessoas envolvidas, mas no sentido de estes Departamentos trabalharem em equipa. Há actividades que podem ser sobreponíveis e assim podem-se atingir melhores resultados. Estes são exemplos de departamentos que já funcionavam muito bem, mas, como acreditamos que duas cabeças pensam melhor que uma só, as equipas poderão atingir melhores resultados do que anteriormente.

Depois, há outros departamentos que mantivemos iguais, mas que, em mandatos anteriores, estiveram um pouco aquém das expectativas. Posso falar, por exemplo, do departamento de Marketing. Assim, nós planeamos que o departamento de Marketing, em directa colaboração com o Núcleo de Gestão, encontrem a melhores soluções, não só em termos de comunicação da Associação de Estudantes, mas também no que toca a fundraising e Plano Orçamental para a Associação.

FRONTAL: Falaste agora sobre a fusão entre o Recreativo e o Cultural. Um departamento gigante e outro mais pequeno. Não poderá esta medida “secar” os projectos de índole cultural?

TN: Não. Esta fusão foi proposta por mim porque considero que o departamento Recrativo não é dissociável do Cultural. Eu acho que há muitas actividades que podem ser feitas em conjunto, não para diminuir a projecção de um departamento Cultural, mas precisamente para projecta-lo, inserindo-o no convívio dos alunos. Não ser só diversão, nem ser só cultura. Nós podemos trabalhar várias actividades para que ambos os departamentos se destaquem. Sem qualquer dúvida, no nosso Plano de Actividades o Cultural não estará esquecido.

FRONTAL: Agora, vamos falar de números. Como se encontra, na tua opinião, a saúde financeira da AEFCML?

TN:  A situação financeira da AEFCML… (hesitação)  não é preocupante. É uma situação que, dado os trabalhos das Direcções antigas que de forma consciente geriram os fundos da Associação, permite-nos ter bases, de mandato para mandato, para desenvolver novas actividades e com essas novas actividades manter a saúde do Plano Orçamental. Também é nesse sentido que queremos continuar: sendo sempre uma Associação sustentável, de forma a que, em Direcções futuras, não haja problemas de financiamento.

FRONTAL: A AEFCML, em comparação por exemplo com AEFML, tem receitas fixas parcas. Existe necessidade de mais dinheiro para a Associação poder desenvolver as suas actividades de forma eficiente? Se sim, como propõe a lista M, que seja feito o reforço do financiamento?

TN: Como membro da actual Direcção sei que, no contexto da crise, as associações de estudantes perderam muitos apoios e outros diminuíram o seu valor. O que a Lista M pretende é apostar mais em apoios institucionais, como é o caso das farmacêuticas, ou de empresas que através da sua Imagem podem promover projectos específicos. Por exemplo, se queremos desenvolver um projecto de voluntariado, deveremos ter um patrocrícino fixo para o mesmo. Tal como aconteceu com o iMed 5.0, que teve uma estrutura de financiamento perfeitamente sustentável a nível interno e que permite que, de ano para ano, se tenham as bases para  desenvolver novamente essa actividade. Acho que, projecto a projecto, vamos conseguir conseguir esse equilíbrio.

FRONTAL: O modelo que apresentas significará um aumento da responsabilidade dos diversos Deparamentos em encontrar fundos próprios para os seus projectos ou será o Marketing a ter de aprofundar a sua tarefa de fundraising?

TN: Esta proposta significa que o Marketing e os [outros] departamentos vão ter que trabalhar mais em equipa. O nosso plano é que o Marketing e o Núcleo de Gestão trabalhem em conjunto –  e em conjunto com os restantes departamentos – para percebermos o seguinte: nós temos estas necessidades, estes departamentos vão precisar [de dinheiro] para este projecto, aqueles vão precisar para aquele e, reunindo tudo, conseguirmos em conjunto, sempre em equipa, pensar onde vamos aplicar o dinheiro e onde serão angariados os restantes fundos necessários.

GRANDES PROJECTOS

FRONTAL: De ano para ano, os Grandes Projectos estão cada vez maiores. Se a Lista M vencer as eleições, qual será a estratégia da DAEFCML relativamente a esta área?

TN: Queremos que estes projectos continuem a crescer e permitir que os alunos cresçam com eles. Uma das propostas incluídas no nosso plano é abrir candidaturas para vagas nas Comissões Organizadoras destes projectos. Para universalizar estas comissões, incluindo alunos motivados e competentes para levar este projectos mais longe. Queremos que cada um dos projectos cresça, mas queremos também inovar.

Outra das propostas desta lista é Orçamento Participativo, que já devem ter ouvido falar. Aqui os alunos, a título individual, estruturam um projecto e propõem-no. Podem vir ter connosco, dizer-nos que têm “esta” ideia, que não sabem como a hão-de realizar. As ideias e os projectos são levados a concurso, será selecionado um a ser incluído no orçamento da AEFCML como Grande Projecto. Será incluído como uma voz para os alunos, como algo que um aluno que não faz directamente parte da Direcção da AEFCML pode desenvolver com os seus colegas.

FRONTAL: A ideia de Orçamento Participativo já foi aplicada em mandatos de outras Direcções da AEFCML, mas sem grande sucesso. O que vais ser feito de diferente este ano em caso de vitória da Lista M?

TN: Em primeiro lugar a divulgação. O Orçamento Participativo já foi proposto por duas Direcções anteriores: numa foi realizado o Parque de Bicicletas da Faculdade. No ano seguinte não funcionou, pois não houve candidaturas. Pretendemos incentivar os alunos [a participar]. Até mesmo falando um a um, sabendo quais são as ideias dos alunos e incentivá-los a proporem-nas. Existem colegas que têm ideias que gostavam de pôr em prática, mas não sabem muito bem como expressá-las. Nós queremos ajudar os alunos a expressarem-se e a proporem efetivamente um projecto para depois ser selecionado.

FRONTAL: Depois dos êxitos neste último mandato, as expectativas são altas e qualquer evento menos bem sucedido poderá ser visto como fracasso. Como é que lidarão com a pressão de alcançar a excelência?

TN: (Risos) A lista M gosta de desafios e os 31 elementos da equipa estão dispostos a aceitar esses mesmos desafios, sem dúvida, no sentido de alcançar a excelência. O facto de haver pessoas novas também permite que novas ideias surjam e que pensemos na melhor forma para subir a fasquia. Acho que o objectivo de todos nós, não só como alunos, não só como membros de uma associação, não só como membros de uma equipa, é superarmo-nos e a lista M propõe-se a superar-se a si e ao que foi feito no passado.

FRONTAL: O iMed é um exemplo claro de sucesso no campo dos Grandes Projectos. Ultrapassar a marca – mesmo que simbólica – de 4 Prémios Nobel será tarefa quase impossível. Assim sendo, qual é o objectivo no próximo ano?

TN: O objectivo é, sem dúvida, não baixar a fasquia e procurar encontrar o melhor programa científico para o iMed. O que é que queremos para o iMed, qual será a linha? Vamos procurar idealizar, dentro do que já vimos, não desiludindo os estudantes. Pensar em 3 prémios Nobel, 4 prémios Nobel ou 5 prémios Nobel… o essencial do iMed 6.0 será programa científico. Queremos apostar num programa científico que para além de interesse para os estudantes em geral, tenha aplicação na vida prática do futuro médico, pretendemos também trazer oradores tão bons ou melhores que os do iMed 5.0.

FRONTAL: O Saúde Porta a Porta é o teu maior projecto enquanto membro da actual Direcção. Que continuidade pensas merecer o projecto?

TN: Este projecto merece muita dedicação, é um grande orgulho para mim enquanto membro da AEFCML e aluna da Faculdade de Ciências Médicas ter conseguido resultados neste projecto. Foi um projecto pioneiro, não havia nenhum igual e que estruturamos do zero, em colaboração com a CUF Infante Santo. Claro que, como em todos os projectos que são à experiência, pioneiros e inovadores, foram encontradas falhas e lacunas que a pessoa que eu proponho como responsável para tomar a liderança deste projecto está preparada para corrigir, propor soluções e para fazer o projecto crescer a outros patamares. Mas essencialmente queremos que a integração, formação e intervenção social dos alunos tenha mais continuidade do que na primeira edição.

FRONTAL: Este ano o Hospital da Bonecada (HB) esgotou as suas vagas num ápice. Qual a tua visão futura para esta iniciativa?

TN: Uma das propostas da lista M para o Hospital da Bonecada é alargar as vagas para este projecto. Como conhecemos a logística que envolvem os actuais moldes do HB, o que propomos é desenvolver o HB em quatro fases. Para além de o desenvolver no Colombo, com as vagas actuais, pretendemos criar outras oportunidade de fazer o mesmo em sítios diferente. Nomeadamente no Hospital Dona Estefânia, onde nasceu o HB que aí teve a sua primeira edição. Nós achamos fundamental não esquecer os nossos laços com a comunidade à nossa volta. O Hospital  Dona Estefânia está aqui ao lado da Faculdade, merece a nossa dedicação e o nosso apoio, sendo por isso um dos exemplo que nós queremos trazer de volta, melhorar e permitir a participação de mais alunos.

DEPARTAMENTOS

FRONTAL: Este ano, terminaram duas equipas desportivas femininas (futsal e basquetebol) e uma masculina (voleibol). Segundo os responsáveis, estas tinham uma percentagem muito pequena de jogadoras pertencentes à FCM-NOVA. O futuro reservará novos fins de equipas semelhantes, ou, pelo contrário, uma renovação do investimento neste campo?

TN: Efectivamente, para as equipas existirem é necessário existirem alunos interessados em participar. O Desportivo compromete-se em divulgar algumas equipas, mas a sua existência passará pela adesão ou não das pessoas. O fim de algumas equipas têm muito a ver com o investimento que AEFCML faz. Se uma equipa passa a ter mais elementos de fora da faculdade [do que da própria FCM], faz mais sentido continuar com uma equipa da AEFCML ou terá mais lógica ter uma equipa da NOVA com alunos de todas as faculdades? Tudo isso pesa, por isso temos que gerir as equipas que fazem sentido na nossa faculdade, como é exemplo a equipa de Voleibol [feminino], que tem bastantes alunos da FCM.

FRONTAL: Actualmente existe apenas um torneio desportivo na FCM-NOVA: a Liga Santana. Porém, a Lista M propõe a criação de novos torneios, por exemplo de ténis. Achas que neste contexto – com equipas a acabarem por falta de praticantes – esta iniciativa poderá ter sucesso?

TN: O sucesso de todas propostas que qualquer lista faça tem muito a ver com a divulgação que vai ser feita. Há alguns alunos que jogam ténis e nós queremos dar oportunidade a estes alunos para participarem num torneio. Mas sem dúvida que o sucesso dessa actividade passará pela divulgação próxima dos alunos.

FRONTAL: Passando para territórios mais alegres: as festas. Absorvem vastos recursos da AEFCML e são a sua face mais visível. Porém, alguns criticam-nas e dizem ficar alguns furos abaixo das correspondentes em outras faculdades. Compartilhas estes julgamentos? Se sim, o que está a funcionar mal e o que poderá correr melhor?

TN: Partilho… Partilho em parte. Considero que houve algumas festas que correram mal. Por exemplo, temos perfeita consciência das situações em que faltou cerveja. Se estivesse do outro lado, nunca gostaria de estar a pagar para estar numa festa que não está a corresponder às expectativas. O que está a correr mal? Eu falo da cerveja porque sei que é um assunto sobre o qual a maioria dos estudantes está insatisfeita com a actual Direcção. [A solução] passa pela criação de parcerias com marcas que se responsabilizem pela assistência completa ao longo da noite – se falha alguma coisa, se não falha. Para além disso, é necessário ver a nível interno o que está a faltar.

FRONTAL: A Faculdade de Medicina de Lisboa tem as Olimpíadas. A de Coimbra, o Fim-de-Semana Terapêutico. A FMUP, o Medicina Radical. Para quando um fim-de-semana exclusivamente dedicado aos alunos de Santana?

TN: Essa hipótese já foi posta várias vezes. Há dois anos houve uma proposta que foi divulgada (de um Fim-de-semana Radical), que não teve qualquer tipo de adesão. Sei que é falado entre colegas a hipótese de isto se fazer, não está posta de parte. Agora, temos que encontrar no nosso calendário de Faculdade um fim-de-semana que não coincida, por exemplo, com o ENEM, com a Semana do Caloiro, ou com outras Olímpiadas. E nós estamos em Lisboa, em que há sempre bastantes gastos e bastantes movimentos, pelo que isso teria de ser muito bem pensando: quando é que faria sentido para os alunos da FCM organizar um fim-de-semana, onde fosse dada oportunidade a todos de participar. Por exemplo, se calhar o final dos exames, agora que vamos ter um calendário mais homogéneo, se calhar já vai ser mais fácil encontrar o fim-de-semana onde essa ideia possa ter sucesso.

FRONTAL: A Lista M é vista por algumas pessoas como uma lista mais sisuda em relação à W. Consideras que o Recreativo será o vosso handicap?

TN: Não! Tenho a certeza que o nosso Recreativo tem bastante potencial, como é visto nas suas propostas. Aliás, são propostas que não são imitação das festas anteriores. Prepararam-se novas temáticas para as festas da Lista M, nomeadamente uma gala de máscaras, ou o FCM’s Got Talent. Sabendo o que correu mal nas festas anteriores, teremos capacidade para promover festas melhores do que as que foram feitas até agora.

Frontal - Campanha eleitoral 006.2

POLÍTICA MÉDICA

FRONTAL: Uma das faces menos visíveis da AEFCML é a sua participação na ANEM. A opinião dos estudantes da FCM tem sido feita ouvir? Pensas que a ANEM tem capacidades para ser ouvida junto das instituições decisoras?

TN: Se tem sido feita ouvir? A AEFCML tem procurado ouvir os estudantes. Já falámos no início da entrevista sobre as RGA’s: normalmente, as posições da AEFCML na ANEM têm por base as Reuniões Gerais de Alunos. Em tudo o que foram momentos fulcrais de decisão na ANEM, foi tida em conta a opinião dos estudantes presentes nas RGA’s. Se eu acho que isso representa a maioria dos estudantes da FCM? Considero relativo, muito subjectivo, na medida da adesão às RGA’s. Mesmo numa em que tenham estado presentes 300 alunos, num universo de 6 anos, será que é significativo? Como é que poderemos melhorar essa representação? Sem dúvida, através do contacto com os estudantes, tal como tenho vindo a falar ao longo da entrevista, para percebermos qual é realmente a opinião mais abrangente.

Considero que a ANEM, do trabalho que acompanhei nos últimos dois anos, tem tomado uma posição muito assertiva no que diz respeito aos órgãos indicados, tem exigido participação e que os estudantes sejam ouvidos, dentro dos possíveis. Nem sempre o conseguem, nem sempre têm poder de decisão; mas acho que se está a trabalhar no sentido de se transmitir que os alunos estão contra algumas decisões que são tomadas.

FRONTAL: Disseste que a ANEM, apesar dos seus esforços, não é ouvida em algumas questões. Por exemplo, na discussão da criação da nova Prova Nacional de Seriação (PNV), só muito tarde consultaram os estudantes de Medicina. Qual é a tua opinião sobre este assunto?

TN: A minha opinião, pelo que sei pelos anos que estive em contacto com ANEM, é que houve um trabalho muito grande da Direcção 2011/2012 para que os estudantes pudessem estar, pelo menos, representados nas decisões que respeitavam a PNV. Como sabemos não temos poder de voto, mas a opinião é transmitida. Por isso acho que esse atraso na comunicação aos estudantes foi porque teve que ser feito um trabalho para nos podermos efectivamente expressar.

FRONTAL: A “morte” do velho Harrisson e a sua substituição pela nova Prova Nacional de Seriação está agendada para 2015. Porém, existem ainda muitas questões a esclarecer, desde o próprio modelo da prova até à possibilidade da sua consulta. Qual é a tua opinião sobre esta questão e de que forma a AEFCML agirá caso sejas eleita?

TN: Se não me engano, [a PNV] está agendada mas ainda não saiu o Decreto-lei que permite que seja aplicada em 2015. Portanto as AE em geral e AEFCML em particular têm sempre que salvaguardar os interesses da maioria dos alunos. Nós sabemos que existe uma Comissão de realização da nova prova. Eu acho que este trabalho tem que resultar dos esforços das AE com a ANEM. Temos que ter uma posição unânime, entre as diversas AE e faculdades, uma posição que possa ser forte e representativa junto das entidades decisoras.

FRONTAL: E achas que uma nova PNV em 2015 defende os interesses dos estudantes a nível nacional?

TN: Na minha opinião, é necessário que a Prova seja repensada, mas é precoce termos uma data agendada antes de conhecermos exactamente os seus moldes. Sem dúvida que isso pode não corresponder aos interesses dos alunos.

FRONTAL: Nos últimos tempos temos recebido notícias preocupantes em relação à nossa futura carreira médica. Pela primeira vez em muitos anos fala-se em desemprego e na possibilidade de não existirem vagas suficientes para o internato. Qual deve ser o papel da AEFCML no meio deste tornado? Poderá ela ter uma atitude activa na defesa dos interesses dos seus representados?

TN: Tenho a certeza que a AEFCML deve ter um papel activo. Em contrapartida, temos sempre de contar com o facto de não estarmos sozinhos. Estamos com as outras faculdades. O mesmo que se aplica à nova PNV. Acho que os estudantes de Medicina têm que se unir nesse sentido. A Associação de Estudantes tem que exigir que essa união exista, que se unam esforços para proteger o nosso futuro, não só como profissionais, mas também em termos formativos, pois corremos o risco de estudarmos seis anos sem ter acesso a uma Especialidade.

EDUCAÇÃO MÉDICA

FRONTAL: Recentemente, a FRONTAL publicou um vasto inquérito no qual se verificou que uma parte significativa dos alunos não se encontra particularmente satisfeito com a Reforma Curricular aplicada desde há dois anos. Qual poderá ser o papel da AEFCML para contribuir para a amenização deste mal-estar?

TN: O papel da Associação tem de passar sempre por perceber o que está a incomodar os alunos, perceber o que está a correr mal e o que está a correr bem e procurar junto dos Regentes, das Unidades Curriculares (UC), do Conselho Pedagógico, em estreita colaboração com as Comissões de Curso, arranjar soluções caso-a-caso, UC a UC, o que é que, ao fim de três anos de novo currículo, já foi corrigido e o que não foi e o que é que ainda está a correr mal. Para a nova Reforma ir sendo repensada de acordo com aquilo que desejamos que sejam os futuros médicos da Faculdade de Ciências Médicas.

FRONTAL: E achas que este esforço tem sido feito por parte da Direcção da AEFCML?

TN: Na minha óptica, tem sido feito algum esforço, mas acho que pode ser feito mais. Contudo, temos de ter em conta que são temas muito sensíveis, muito complexos. É importante ter uma opinião concisa, uma opinião junto da Direcção e do Conselho Pedagógico – estas questões passam sempre pelo Conselho Pedagógico – ponderada. É fundamental não tomar decisões precipitadas para que os danos não sejam superiores aos benefícios. Mas sem dúvida que acho que pode ser feito mais, sempre através de propostas concretas: identificamos um problema numa UC e vamos propor uma solução. Acho que tem que passar por esse planeamento e não só pela crítica à Nova Reforma. Repito: temos que pensar UC a UC o que está a correr mal.

FRONTAL: Disseste que um dos objectivos da Associação deveria ser contribuir para a formação de melhores médicos. Isto passa pela solução de problemas a nível pedagógico. Quais são os principais desafios neste campo que necessitam de ser ultrapassados para cumprir este objectivo?

TN: Um dos grandes desafios, e onde não tenho qualquer dúvida que a AEFCML tem capacidade para intervir, é ver o que falta no Currículo para a formação de um bom médico; e tentar oferecer essa formação aos estudantes, ou procurar por exemplo com as opcionais ou através de formações ou workshops suprir essas lacunas.

TRADIÇÃO

FRONTAL: Uma pergunta sobre a Praxe Académica. Obviamente, esta não se encontra na jurisdição da AEFCML, mas acaba sempre por conviver com diversos eventos organizados por ela – sendo assim, qual será a posição da AEFCML em relação a esta caso a Lista M seja vencedora?

TN: A lista M inclui nas suas propostas a estreita colaboração com os vários grupos da Faculdade. Não só com o Grémio – o responsável pela Praxe – mas também com o Grupo de Teatro e a Tuna. Porque a Associação é um elemento neutro, chega a todo o tipo de alunos, tanto aos que participam na Praxe, como aos que participam na Tuna, como aos que participam no Teatro, como aos que preferem só estudar ou aos que preferem ter só actividades fora da Faculdade. Sendo que muitas vezes [os Grupos da Faculdade] estão envolvidos em actividades integradas e mesmo que não haja actividades concretas em conjunto, acho que os alunos só têm a ganhar e os grupos, os actuais ou novos, também. Sei, por exemplo, de um grupo de alunos que gostava de ver nascer um Núcleo Cultural numa linha diferente da Associação de Estudantes.

TN: Na minha opinião, só em colaboração é que podemos unir os estudantes. O que a lista M propõe, em linhas gerais, é promover mais o diálogo entre estes grupos, falarmos mais vezes, vermos o que estes grupos estão a precisar. Por exemplo, eu tenho consciência que tanto a Tuna, como o Grémio, como o Teatro se calhar precisavam de um bocadinho mais espaço. No fundo estão em arrecadações da Faculdade, se calhar já mereciam de uma sala pois já têm um número representativo de alunos que merecesse algum conforto. Portanto, sem qualquer dúvida, a Lista M propõe, em diálogo com esses grupos, arranjar soluções para que qualquer aluno se sinta confortável em participar.

FRONTAL: Ainda sobre a Tradição: haverá espaço para AEFCML promover uma Recepção ao Caloiro dissociada da Praxe Académica?

TN: A minha opinião sobre o assunto é que deve ser dada também oportunidade aos alunos que são anti-praxe de serem recebidos na Faculdade. Acho que a Associação poderá ter um papel a desempenhar, mas sempre promovendo um diálogo com o Grémio, para que não haja sobreposição de actividades. Acho que deve haver tanto  actividades de praxe, como tempo de abertura para todo o tipo de alunos que queiram participar em actividades organizadas pela AEFCML. Concluindo, acho que faz todo o sentido a Associação estar envolvida na recepção aos alunos

FRONTAL: Para terminar, uma ultima questão, ou melhor uma sugestão. Que mensagem, se existir alguma, gostarias fazer chegar ao Presidente da Lista W?

TN: (Risos) A Mensagem é: ganhe quem ganhar, deste momento histórico para a Faculdade de discussão e partilhas de opiniões, resulte o melhor para os alunos. Que, tanto se a Lista M como se a Lista W ganhar, que trabalhemos sempre em conjunto, também com todos os alunos da Faculdade, para que todos os alunos possam tenham voz participar, para que a informação chegue a todos e a defesa dos estudantes e das suas opiniões seja a mais abrangente possível.