O Futuro é Hoje: o Dia da Educação Médica.

Ao longo do percurso académico e profissional muitas são as decisões que um estudante e futuro médico tem de tomar. Algumas são, claramente, baseadas nas preferências pessoais e na ponderação de todo um conjunto de fatores com diferentes graus de relevância atribuída. Outras decisões exigem conhecimentos e experiências prévias que são adquiridos ao longo do desenvolvimento pessoal e da formação académica.

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O Dia da Educação Médica, organizado pelo departamento Pedagógico da AEFCML, consiste num conjunto de palestras que versam diversas temáticas caras aos estudantes de Medicina, e que vão de encontro às preocupações atuais e futuras que se centralizaram não só no aluno e na avaliação, mas também no docente e instituição de ensino.

Das conferências apresentadas, é de destacar o impacto das propostas que atualmente existem quanto à Prova Nacional de Seriação e sua eventual alteração para um novo método que não seja baseado na memorização. O Professor Doutor Caldas de Almeida, Diretor da FCM-NOVA, é o atual Coordenador do Grupo de Trabalho que está a desenvolver a proposta para o novo modelo da Prova Nacional de Seriação. Sendo aceite pelo Governo, a nova prova proposta por este grupo será constituída por um conjunto de 180-200 questões de escolha múltipla, com o objetivo de avaliar a capacidade de raciocínio e seriar de forma fidedigna os candidatos à especialidade. Foi também referido que existirá uma “lista clara de conteúdos e uma matriz”, com a ponderação relativa de cada uma das seguintes áreas: Medicina, Cirurgia, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina Geral e Familiar e Psiquiatria e Saúde Mental. Haverá uma nota mínima obrigatória nesta prova, que deixará assim de ser estritamente uma prova de seriação.

Menos consensual é a questão da impossibilidade de revisão de prova: o Professor sustenta esta posição com (1) os custos financeiros associados e (2) a inviabilização do método proposto de elaboração de perguntas (através de um banco de questões constante ao longo do tempo). Igualmente polémica é a questão da existência de bibliografia recomendada, defendida pela ANEM (representada nesta conferência pelo seu presidente, Francisco Mourão) e que não reúne o consenso dos restantes membros do grupo. Ambas as questões estão em discussão.

Dentro do painel  de Avaliação e Formação, foi também importante a intervenção da Professora Doutora Emília Monteiro sobre a formação dos docentes nas escolas médicas e ainda a intervenção do Professor Doutor Manuel João Costa, da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, que ilustrou a necessidade dos métodos de avaliação serem validados, fiáveis e reprodutíveis, na tentativa de minimizar o erro e abranger quer uma avaliação formativa, quer sumativa.

Na transição do ciclo básico para o ciclo clínico do Mestrado Integrado para Medicina, surgem algumas expectativas mas também preocupações inerentes a esta mudança e a este novo ambiente. A perspetiva da importância do acompanhamento dos estudantes durante a sua formação é essencial para os conduzir e para orientar no raciocínio clínico. A apresentação do Professor Doutor João Paço foi centralizada no aluno não só como observador mas como interveniente e do docente como responsável no acompanhamento e na receção e acolhimento do aluno. A colheita de histórias clínicas constitui um desafio e a sua elaboração deve ser baseada no desenvolvimento de um raciocínio lógico que justifique a realização de exames complementares de diagnóstico e no esboço de um diagnóstico final. O apoio do corpo docente reveste-se de extrema importância no desenvolvimento de competências técnico-práticas e no desenvolvimento de competências de comunicação.

Com o início do exercício  médico, a crença de que apenas se pode escolher o ramo da investigação em detrimento da prática clínica está cada vez mais em desuso.  Segundo o Professor Doutor José Delgado Alves,  a conjugação da carreira académica e de investigação com a carreira hospitalar tem uma importância excecional, especialmente porque a tomada de decisões (segundo o Estado da Arte) deve ser baseada na evidência. Segundo a opinião do orador, se, por um lado,  já se assistiu  a um distanciamento entre a Academia e a prestação de cuidados por elitismo, no momento atual, assiste-se a uma reaproximação dos hospitais à Academia, curiosamente, por elitismo.

Em suma, foram apresentadas várias perspetivas por diferentes oradores,  estudantes pertencentes  a órgãos associativos e elementos do corpo docente da NOVA e de outras universidades. O encerramento do Dia da Educação Médica foi feito pelo Director-Geral da Saúde, o Ex.mo Professor Doutor Francisco George, que falou aos estudantes do “futuro em Medicina”.

Esta 2.ª Edição incluiu, assim,  a partilha de conhecimentos, experiências e divulgação de oportunidades futuras com impacto em termos pessoais e/ou curriculares no desenvolvimento de competências. Citando William Osler: “Today is the future”.

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