“Burnout na Classe Médica”, by Sindicato Independente dos Médicos, moderado pelo Prof. Dr. Carlos Filipe

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O Burnout caracteriza-se pela tríade de exaustão, devido à deplecção de recursos físicos e emocionais do indivíduo, de despersonalização, que conduz à adopção de uma postura indiferente, negativista ou de cinismo por parte deste, e de frustração ou de perda de realização pessoal. As consequências deste fenómeno estendem-se aos domínios da saúde individual, desempenho profissional e vida de relação. Afectam não apenas o médico mas também a instituição que representa, os destinatários dos seus serviços – os doentes – os colegas e a sociedade em geral, tornando-se por isso um problema cuja relevância merece reflexão.

Na mesa redonda intitulada “Burnout na classe médica”, moderada pelo Professor Carlos Filipe, iniciou-se a discussão pela exposição de dados obtidos de um estudo feito pela Ordem dos Médicos, em 20161. O Professor José Manuel Silva, ex-bastonário da mesma, e a Professora Sílvia Ouakinin, psiquiatra, directamente envolvidos no estudo em causa, explicaram em linhas gerais a forma como este foi feito e salientaram como se deve proceder no futuro. De facto, este estudo mostrou que o burnout na classe médica portuguesa é bastante significativo, sendo superior ao de países como os Estados Unidos.

Frisou-se que a despersonalização que lhe está associada pode destruir a relação médico-doente, o que é extremamente impactante na prestação de cuidados.

Por outro lado, e com a colaboração do Dr. Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos médicos (SIM), discutiram-se algumas das razões que conduzem a esta realidade, tais como a sobrecarga de horas de trabalho sobre os profissionais, particularmente aplicável aos internos de especialidade que asseguram os serviços de Urgência com tanta frequência, as pressões a que os médicos são sujeitos para trabalharem mais horas, submetendo-se muitas vezes a turnos de 24h ou trabalhando sem descanso compensatório, a deterioração da relação entre pares, com aumento da competitividade e redução da entreajuda e ainda a mudança do papel social do médico, com perda de apreço por parte da população em geral que, no entanto, lhe continua a atribuir a obrigatoriedade do serviço, quase como que se de uma vocação eclesiástica se tratasse.

Por fim, a Dra Inês Mesquita, anestesiologista, e o Dr. Nuno Gaibino, internista intensivista, expuseram as suas experiências enquanto internos de especialidade, neste contexto. Destacaram a importância de salvaguardar o seu tempo de descanso, de não ceder a pressões e sobretudo da necessidade de desenvolver a capacidade de fazer valer os seus direitos legais e saber dizer “Não”.

Bibliografia

1: Marôco, J., Marôco, A., Leite, E., Bastos, C., Vazão, M., & Campos, J. (2016). Burnout em Profissionais da Saúde Portugueses: Uma Análise a Nível Nacional. Acta Médica Portuguesa, 29, 24-30.

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