Saberemos lidar com a tecnologia ?

A história da tecnologia remete-nos para tempos longínquos, desde a criação, com o uso de ferramentas de caça e proteção até à atualidade, com o desenvolvimento maciço do computador, do telefone (ou smartphone). Vistos como essenciais para o Homem, corremos agora o risco de nos tornarmos autênticos reféns de um mundo moderno. E o mais preocupante é perceber que a saúde não escapa desta dependência.

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Qual foi o presente de Natal mais requisitado há dois anos? Smartphone. Qual foi o presente mais requisitado deste último? Tablet. Estes aparelhos tecnológicos dominam a nossa vida, pessoal e familiar, e atingem atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O que está em causa não foi aquilo que conseguimos alcançar, mas sim a forma como gerimos todas estas descobertas. Quem não gosta de jogar de vez em quando na playstation? Não é essa a questão. A verdade é que a tecnologia no nosso dia-a-dia não deve ser excluída, sendo que as suas funções nos abrem portas infinitas de lazer, conforto e comunicação. O problema é quando interfere com atividades escolares, diminuindo o rendimento do aluno ou, pior ainda, quando “mexe” com a componente familiar e social de cada um (má gestão do tempo, vício nos jogos…). Já todos repararam numa forma muito fácil (e eficaz!) de sossegar bebés, principalmente em locais públicos – “Dá-lhe mas é um tablet para ver se se cala!”. Será esta a forma mais correta de educar? Creio que não. É apenas um de muitos exemplos que provam como podemos não estar a tirar o melhor proveito dos recursos que temos…

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Uma das áreas que mais se desenvolveu com a tecnologia foi, sem dúvida, a saúde. Sistemas operacionais de armazenamento de dados, por exemplo, facilitaram muito na gestão das fichas de doentes (agora digitais). O desenvolvimento de vacinas, como a da tuberculose (por Robert Koch), revelou-se fundamental na prevenção de inúmeras patologias. Muitos equipamentos são utilizados para a realização de exames médicos, com fidelidade crescente (eletrocardiógrafo, a partir do qual se realiza o eletrocardiograma). Mas, uma vez mais, devemos impor determinados limites ao rumo destes acontecimentos!

Desde cedo, o estudante de medicina é confrontado com a extrema importância da relação médico-doente e com os benefícios inerentes do respeito por esta prática. Para o sucesso da nossa profissão, não podemos de todo esquecer quem se encontra do outro lado da mesa…e pensar que agora é possível fazer uma consulta por videoconferência, é algo que contraria tudo aquilo que nos é reforçado ao longo de 6 anos.

Outra questão particularmente importante prende-se com o desenvolvimento dos exames complementares, que agora quase substituem o exame físico do doente. São cada vez mais frequentes as solicitações, estimando-se que em cerca de 50% das consultas são pedidos, exclusivamente, exames complementares. Esta percentagem não será exagerada? E todos os custos associados (em grande parte desnecessários) ? É algo que deve ser fruto de uma reflexão profunda…

Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida 

Arnold Toynbee

A tecnologia já proporcionou autênticos milagres, e pode muito bem continuar a fazê-los. Tudo depende da forma como a utilizamos e (mais importante) da moderação inerente que deve existir, nunca deixando escapar o que é essencial. É fantástico poder ver como Stephen Hawking consegue, diariamente, “fintar” uma patologia neurodegenerativa (Esclerose Lateral Amiotrófica).

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Muitas outras situações podemos encontrar, que reforcem esta ideia! Ainda há pouco tempo, óculos especiais permitiram a uma mãe cega ver o seu filho, depois de nascer…e como? Este aparelho possui uma câmara de filmar no centro, que tem como função captar imagens em tempo real para depois as transmitir em dois ecrãs, aproveitando a visão periférica dos afetados. Desta forma, foi possível proporcionar um dos melhores momentos da sua vida, talvez até o melhor! Pensar em feitos como estes há duas décadas seria totalmente irrealista.

Estes exemplos são apenas “gotas num oceano”, mas mostram que, como em tudo na vida, devemos retirar o melhor possível de todas as situações, sem exceção. Vamos aceitar o que parece ser o rumo dos acontecimentos?

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Francisco Vara Luiz é aluno do 4º ano da NOVA Medical School|Faculdade de Ciências Médicas, embora tenha frequentado um ano de Medicina na Universidade dos Açores…daí, guarda algumas das melhores memórias da sua vida. Agora, mantendo-se no curso que sempre desejou, tem a grande motivação de viver na “sua” cidade e de estar perto da família (amigos também são família!) e do seu clube (Sporting, what else??) . O desejo de pertencer a um grande projeto fê-lo ingressar na equipa da FRONTAL, em Dezembro de 2014. Pelo caminho, ingressou noutros projetos e atividades que espelham as suas motivações de vida - ser uma melhor pessoa e um melhor profissional.

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