“Ó Sotor!”

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Volvidos 6 anos de curso, o desejo de pôr em prática todos os conhecimentos adquiridos está no auge. Ávidos por doentes cheios de patologia e reanimações como as que nos fascinam nas séries de televisão, de uma coisa nos esquecemos. É que cada doente quer ser dono e senhor da sua doença. Em cada consulta, entre a cadeira do doente e a poltrona magistral em que nos imaginamos sentados, vamos tentando arduamente recorrer aos ensinamentos da velhinha psicologia médica que nos ensinava a desenvencilhar do fosso a ser ultrapassado na relação médico-doente. Contudo esqueceram-se de nos ensinar que, para o doente, o médico só é bom médico se também for um bom ator. Tudo isto se torna válido porque cada doente é doente à sua maneira e, como tal, vão criando chavões caricatos de si mesmos.

O Doente Google

Aquele que sabe mais que o médico. Já pesquisou os seus sintomas, analisou-os ao mais ínfimo pormenor e até inventou uns quantos para ter razão no seu diagnóstico. Só precisa do médico para prescrever o medicamento que acha que tem de tomar ou a TAC que quer fazer. Lê a bula do medicamento, sabe os todos os seus efeitos adversos e tem muito medo das alergias e interações medicamentosas. Dificilmente aceita opiniões diferentes daquelas oferecidas pela Internet.

O Doente Peregrino

É o doente ominipresente. Está sempre presente no consultório e faz de tudo para cair nas boas graças do médico, na esperança de ter sempre a sua consulta a tempo e horas. Toma a sua medicação religiosamente, oferece presentes e faz tudo o que o médico manda. Tudo excepto mudar o estilo de vida. Sim, porque pedir para fazer desporto ou retirar o queijinho e o chouriço da sua alimentação pode, num ápice, fazer o médico passar de bestial a besta.

O Doente Hipocondríaco

Acredita sofrer de todos os tipos de doença e tem no médico ou farmacêutico os melhores amigos. Para ele tudo pode ser cancro e a sua pergunta predilecta é: “Doutor, o que é que acha que isto pode ser?”. Começa a consulta por retirar do bolso um papel com uma lista infindável de sintomas que nos faz suar frio. É ansioso, adora antidepressivos e pode chegar ao cúmulo de contar o número de gases que liberta por dia só para saber se tudo está a funcionar bem. É sempre alérgico à penincilina e adora ter a sua farmácia pessoal em casa.