Abrindo a mente pela Costa de S. Vicente

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A costa sudoeste portuguesa estende-se por mais de 100 km de costa selvagem inserida no Parque Nacional do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, entre S. Torpes e a praia do Burgau. Prima pela beleza e pelas gentes. Visitá-la ou percorrê-la é aliciante para todos: amantes da fauna, da flora, fãs do surf, windsurf ou bodyboard, da canoagem ou mergulho, para os que gostam de fotografar, caminhar, ou simplesmente para descansar. O Sw oferece uma panóplia de atividades, procurando um turismo ativo e sustentável. Viajar ‘cá dentro’ tem-se tornado uma verdadeira tentação.

Arrifana Madalena Soares Virtuoso

A Costa Vicentina

Trilhos e caminhos já existentes, utilizados pelas populações locais, foram selecionados, compilados e devidamente sinalizados, formando itinerários que possibilitam, desde o ano passado, percorrer a pé toda a costa. Os caminhantes podem optar pelo Caminho Histórico, que mergulha por entre vilas e aldeias, com início na Igreja Matriz de Santiago do Cacém; ou pelo Trilho dos Pescadores, que segue junto ao mar, por entre arribas de perfil serrilhado, onde a mão do homem não chegou ainda. Cada etapa perfaz um máximo de 25 km, sendo que as mesmas se podem intercalar e combinar de forma a permitir percorrer os caminhos rurais e aceder à costa. O percurso tem fortes ligações às peregrinações até ao Promontorium Sacrum, onde o corpo de S. Vicente deu à costa no atual cabo a que deu o nome, tendo sido recolhido e depositado pelos cristãos na Igreja do Corvo, fomentando o culto vicentino. Este motivou peregrinações oriundas de toda a Península, iniciando uma tradição de sacralidade. Ideal para promover o sentido de orientação e a prática de exercício físico e promovendo, concomitantemente, a vertente histórica, cultural e religiosa.

Carvalhal Madalena Soares Virtuoso

Recantos e Encantos

Juntar um grupo de amigos, pôr às costas a mochila, o mapa e o sentido prático, e rumar face às praias de areais extensos ou apenas de poucos metros, selvagens, paradisíacas, desertas ou exploradas, que surgem ao longo da costa. Pode aliar-se ao espírito aventureiro, o espírito festivaleiro da Zambujeira ou de Sagres, ouvir alguns nomes sonantes e dançar até ser dia. Às praias de S. Torpes, Morgável e Pedra da Casca, segue-se a Ilha do Pessegueiro, em frente à ilha que lhe dá nome e que foi, em tempos, porto de abrigo de romanos e cartagineses.

As praias do Malhão e dos Aivados são conhecidas de todos e indubitavelmente bonitas, mas o fascínio da praia do Brejo Largo está em não ter qualquer indicação. À praia do Tonel, entre a Zambujeira e o Cabo Sardão, só os mais ágeis conseguem aceder. Continuando a descida, sobressai a imponência das rochas da praia de Alteirinhos e o areal infindável da praia do Carvalhal. A praia da Amoreira, junto a Odeceixe e banhada pela ribeira de Aljezur, forma uma das lagoas mais belas. Veem-se carrinhas VW pão-de-forma, surfistas, ouvem-se as mais diversas línguas e somos apoderados pelo mar, pelo sol, pelas cores já ruças e pela simplicidade, tornando a envolvência mística. A Arrifana, digna de postal, faz a delícia dos surfistas. A Carrapateira, com recifes de coral, é ideal para o mergulho. As praias do Amado, Barriga, Castelejo e a Cordoama, em Vale do Bispo, fundem-se com a paisagem selvagem, engolida pelas ondas altas sarapintadas de surfistas. As praias do Beliche e Martinhal, por sua vez, são muito ventosas, fomentando a prática do windsurf. Para quem procura isolamento e paz, a praia do Barranco é perfeita.

Malhão Madalena Soares Virtuoso

Pernoitar

O alojamento pode fazer-se em casas de turismo rural, pequenos hotéis ou pensões e parques de campismo. Em Almograve e Arrifana as pousadas da juventude são uma boa opção. Para os que preferem o campismo, a costa é provida de vários parques de campismo: da Ilha do Pessegueiro, Orbitur Sitava Milfontes, Camping Milfontes, Zmar Eco Campo Resort e Spa (ex libris do ecoturismo pela fusão da qualidade e aproveitamento de recursos naturais), da Zambujeira, Monte Carvalhal da Rocha (com excelentes condições, enaltecidas pela vista deslumbrante) e o de S. Miguel. A aldeia da Pedralva merece igualmente referência. Esta aldeia foi reconstruída a partir de ruínas da aldeia original e, é atualmente, uma aldeia ativa e trendy, onde as casas podem ser alugadas e onde uma pizzaria delicia quem por lá passa.

Citando o poeta alentejano Manuel da Fonseca «O Alentejo acende-se no vento/ Pede o canto da água/ Veste de cal as paredes das casas/ Fala de lutas e coragem (…)». Imperdível este Sw português, de recantos, histórias e encantos.

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