Como Eles Te Vêem

A assinatura da Declaração de Bolonha (1999) esteve subjacente à elaboração de um conjunto de documentos, por parte das faculdades de Medicina portuguesas, no ano de 2005, que visavam uma reformulação do perfil do Licenciado em Medicina, com a definição de parâmetros objectivos e fundamentais à actualização do ensino médico em Portugal. Em 2007, a Nova Medical School|Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM), na altura ainda Faculdade de Ciências Médicas (FCM-UNL), procedeu ao ajuste da Licenciatura em Medicina a Mestrado Integrado, sem modificar a estrutura curricular. Iniciou-se, nesse período, um processo de inquirição a docentes e alunos com o objectivo de encetar a preparação de uma reforma curricular que melhor se adequasse às necessidades identificadas e privilegiasse os interesses da Medicina contemporânea.

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Em 2011, na sequência da mudança estrutural e organizativa despoletada pela publicação dos novos estatutos da FCM-UNL e em consonância com a dita necessidade de actualização da estruturação do curso de Medicina, gerou-se um processo de alteração do plano de estudos. Nascia assim o Plano de Estudos 2011, coloquialmente conhecido por “Novo Currículo” ou também por “Nova Reforma”.

Cinco anos depois…

Com a chegada do primeiro ano da nova reforma ao sexto e último ano da formação pré-graduada, as questões impõem-se: terá o novo plano curricular colmatado, de facto, as fragilidades do anterior? Que lacunas e triunfos se lhe podem apontar? Estarão a ser formados médicos com mais qualidade?

A FRONTAL foi à procura de respostas para estas questões. Três Professores Catedráticos, três médicas e dois alunos aceitaram responder ao desafio proposto.

Entrevista à Professora Doutora Maria Emília Monteiro (EM), Professora Catedrática de Farmacologia, Presidente do Conselho Pedagógico e Subdirectora da NMS|FCM e ao Professor Doutor José Rueff Tavares (JRT), Professor Catedrático de Genética na NMS|FCM e Coordenador do Centro de Toxicogenómica e Saúde Humana (ToxOmics).

Com qual das seguintes asserções se identifica mais: a) “A nova reforma amputou o conhecimento aos alunos. Têm défices de preparação teórica fundamentais para as suas competências profissionais.” ou b) “Os alunos da nova reforma têm conhecimentos mais dirigidos e adequados ao raciocínio clínico do que os da antiga.”?

Foi-lhe mais gratificante ser professor dos estudantes da antiga ou da nova reforma?

Na perspectiva do(a) Professor(a), quais serão os profissionais mais competentes no futuro?

Entrevista ao Professor Doutor José Fragata, FESC, FETCS (JF), Professor Catedrático de Cirurgia, Regente da Cadeira de Especialidades Médico-Cirúrgicas II, Coordenador da AEI de Morfologia e Cirurgia; à Dra. Inês Morujão (IM), Licenciada em Medicina pela NMS|FCM, Assistente Hospitalar de Cirurgia Geral no CHLC e Master em Senologia; à Dra. Helena Amorim (HA), Licenciada em Medicina pela NMS|FCM e Assistente Hospitalar de Medicina Interna no CHLC; à Dra. Luísa Quaresma (LQ), Licenciada em Medicina pela NMS|FCM, Assistente Hospitalar de Cirurgia Geral no CHLC e a realizar Doutoramento em Ciências da Vida (DM – InvClínica).

Sobre aos alunos da antiga e nova reformas:

Quais os que estão melhor preparados para a prática clínica (conhecimentos teóricos versus aptidões práticas)?
De que modo é o ensino teórico, o ensino prático e a maturidade dos alunos das diferentes currículos se podem comparar?

Que estereótipos, isto é, que “tipos” de aluno existem, então?

Que diferenças tem a apontar à postura dos alunos? São significativas entre os diferentes currículos?

Sente que os alunos da nova reforma possuem conhecimentos, nomeadamente de fisiopatologia e introdução à prática clínica, inferiores aos da antiga reforma? Acha que possuem conhecimentos suficientes para estarem, no terceiro ano, num hospital?

É possível distingui-los pela sua prestação num estágio? Como? Quais as principais diferenças?
Acha que o novo currículo está no bom caminho para formar médicos mais competentes, mais humanos?

Se tivesse que optar por um para trabalhar consigo, qual escolheria?

Consegue distinguir os principais aspectos positivos e negativos de cada reforma?

Atendendo à sua experiência, que alterações proporia no actual modelo de ensino teórico e prático?

Entrevista a Eduardo Freire Rodrigues (ER), Mestre em Medicina, aluno do último ano do Plano de Estudos de 2009 e ex-Presidente da Associação de Estudantes da NMS|FCM (novembro 2014 – dezembro 2015) e a Inês Neri (IN), aluna do sexto ano, o primeiro do Plano de Estudos de 2011 e Presidente cessante da Associação de Estudantes da NMS|FCM (Janeiro de 2016-presente).

Fazendo um balanço do teu percurso académico, que críticas fazes à preparação teórica do teu currículo?

O que tens a dizer relativamente à tua preparação prática?

Quais as grandes falhas que tens a apontar à preparação que a faculdade te proporcionou? Que soluções proporias?

Atendendo à tua experiência, se estivesses no 1º ano e te dessem a escolher fazer Medicina com o currículo actual ou com o antigo, por qual te decidirias? Porquê?

A FRONTAL agradece profundamente a amabilidade e disponibilidade de todos os entrevistados que aceitaram responder às questões deste artigo.