Mundos de um Voluntário

Quem de nós nunca terá ouvido falar de voluntariado? Nunca como agora se viram tantos jovens envolvidos em projetos de índole social! É esta uma geração mais altruísta? Ou simplesmente competitiva? A FRONTAL leva-te numa viagem por este mundo e explica-te como e porquê. Para que não restem desculpas para não participar!

O aumento do número de jovens comprometidos com projetos de voluntariado é hoje uma realidade. Olhando em volta, são muitos os que já se envolveram em empreendimentos desta natureza, e ainda mais aqueles que gostariam de se envolver mas nem sempre sabem como podem ou se são capazes de começar.

O voluntariado não é certamente uma novidade do século XXI, mas a nossa geração será provavelmente a mais sensibilizada de sempre em relação a causas sociais. Se hoje cada um de nós tem um amigo ou conhecido que participa neste tipo de atividade, aqueles que têm agora a idade dos nossos país e avós, na sua juventude, raramente terão ouvido falar do termo (se tanto, a palavra de ordem seria “caridade”…).

Quererá isto dizer que somos uma geração mais altruísta? Preocupada com o próximo e que, face ao panorama social, está alerta para as necessidades além-próprio? Ou, contrariamente, mais egoísta? Motivada a participar em projetos de voluntariado sobretudo devido à competição no mundo do trabalho que nos força a um Curriculum mais rico e cativante para o empregador? Por fim, será uma questão de aliar o “útil ao agradável” e aliar a oportunidade de ajudar o outro com a umas férias num país tropical? Afinal, quem não apoia o célebre mote de “Matar dois coelhos de uma cajada só″.

Talvez seja um pouco de tudo isto, talvez um pouco de nada.

Na realidade, as razões são tantas quantas as pessoas envolvidas, cabendo à consciência de cada um procurar a sua. Questiona-te sobre onde te revês e reconheces os teus amigos que se associam a projetos de vountariado.

A FRONTAL falou com vários voluntários e em todos notou a mesma paixão. Apesar de cada qual ter começado por motivos diferentes, todos acabaram por perceber que o voluntariado ultrapassa razões pessoais ou motivações altruístas: é sobretudo receber algo inesperado que dificilmente se explica.

Transformers – Transform your society

aprovadoO projeto nasceu em 2009, nas ruas de Palmela, com jovens a dançar breakdance. Neste momento, somam-se 600 voluntários em três cidades: Porto, Lisboa e Coimbra – 600 Voluntários que levam a arte e o desporto a outros jovens. Trata-se de um projeto de jovens para jovens com a divisa: “Todos temos um superpoder”. Pretende combater a inércia de alguns, ajudando outros e valorizando todos. Baseia-se tudo na máxima do dar e receber (ou “payback”, como dizem os Transformers), capacitando os jovens em formação a utilizar o seu novo potencial em benefício dos outros. O efeito é multiplicador: hoje tu és o aluno, amanhã o professor. As candidaturas iniciam-se em setembro, época em que são selecionados os futuros mentores do projeto. “Mais do que ensinar, o mentor tem como objetivo capacitar os jovens a envolverem-se na comunidade onde estão inseridos”, explica Mariana Teixeira, do Projeto Transformers. As portas encontram-se abertas durante todo o ano, com a possibilidade de ocorrerem colaborações pontuais, nomeadamente para o Festival TNT, evento onde os t-kids têm oportunidade de mostrar ao mundo aquilo que aprenderam. Não existe, portanto, razão para ficar parado, pois “todos nós temos um superpoder”. Se achares que não tens nenhum, irás, de certeza, descobri-lo no Transformers.

Atividade de Skate - Escola Dr. Vieira de Carvalho

WOOF Portugal

WWOOF-Portugal-logotipoO projecto WWOOF (World Wide Opportunities on Organic Farm) teve inicio em 1971, em Inglaterra, pelas mãos de Sue Coppard, uma secretária de Londres que anteviu uma ponte entre a vontade de apoiar o movimento da agricultura biológico e os meios para o fazer. Evoluiu para cerca de sessenta organizações nacionais, reunidas numa federação à escala global, contando com 130 quintas e cerca de 1500 voluntários a nível nacional. Para colaborar, basta que te inscrevas na Associação, escolher uma quinta e contatá-la (saúde, boa disposição e vontade para trabalhar serão também, com certeza, bem vindas). “Simbiose” talvez seja a palavra que melhor descreve esta relação entre um WWOOFer e o seu anfitrião! Ultrapassando a ideia de que “agricultura é para velhos” e promovendo estilos de vida sustentáveis, esta organização permite uma vivência diferente da confusa lide urbana e um certo turismo ecológico, afastado do típico turismo de massas. Mais do que uma experiência ecológica, é uma experiência de vida.

“A WWOOF destaca-se do voluntariado tradicional, por se criar uma situação bilateral. Os dois lados (o do voluntário e o do anfitrião) são igualmente beneficiados e as relações entre o que se dá e o que se recebe são bastante equilibradas. O voluntário dá a sua ajuda em troca de alojamento, alimentação e aprendizagem, enquanto o anfitrião transmite anos de conhecimento e fornece alimentação e alojamento pela ajuda do WWOOFer. Quem beneficia mais – o voluntário ou o anfitrião? Esta pergunta não tem resposta na WWOOF.” É assim que Rodrigo Rocha, coordenador do WWOOF Portugal, resume o projecto.

aprovada

RE-FOOD

Flyer Refood 103x150mmA ideia surgiu durante um jantar no qual Hunter Halder (fundador da organização) foi questionado pela própria filha sobre o destino das sobras de comida do restaurante. De uma pergunta inocente nasceu um projeto inovador com vista a diminuir o desperdício alimentar. A Re-food atinge a sua missão a partir dos seus centros de operações, havendo três processos interligados: Recolha, Empacotamento e Distribuição. Conta com centenas de colaboradores que
dedicam cerca de 2 horas da sua semana a combater o desperdício (num dia à sua escolha, de segunda a sexta, entre as 18 e as 24 horas). “A Re-food é um fenómeno bastante recente, tem uma abordagem inovadora e uma capacidade significativa para contribuir para combater estes dois males da nossa sociedade – o desperdício e a fome – e, no processo, reforçar as comunidades urbanas onde é implementada”, refere Hunter. Conta não só com o empenho dos voluntários como também com a colaboração de empresas ao nível da oferta de sobras de comida, doações monetárias ou de equipamento necessário ao normal funcionamento da Loja Re-food.

Inês Figueiredo, aluna do 6º ano da FML, é a atual líder da equipa Re-food Carnide e convida voluntários a juntarem-se à organização, ou mesmo a “criarem a sua própria equipa numa freguesia em que ainda não exista núcleo em formação”. Afinal, “não existe perfil típico para um voluntário Re-food, as principais caraterísticas são a vontade e a disponibilidade para ajudar”, palavras de Isabel Rêbelo, aluna do 6ºano da FCM-NOVA e gestora da Pasta “Fontes”. Porque, talvez um dia, a Re-food consiga alcançar o seu objetivo: acabar com a fome na cidade de Lisboa.

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GASNovagasnova-logo

Há 15 anos, alunos da nossa universidade criaram um grupo com a ideia de que podiam mudar o mundo. E, para isso, era crucial aproximar os jovens de grandes desafios, para que amanhã estivessem à altura de fazer a diferença. O
grupo sofreu alterações e reestruturações fundamentais, mas a missão e aquilo em que acreditam mantém-se. Eis o GASNova.
A “Caminhada”, como chamam, ocorre ciclicamente, renovando-se todos os anos com voluntários novos, entre os que entram à descoberta e os que ficam transmitindo aos recém-chegados o que inesquecivelmente viveram.
Ao longo de um ano, passam por uma formação baseada em Educação para o Desenvolvimento dividida em várias etapas. Desde formações, reuniões semanais e fins de semana de voluntariado, os jovens aproximam-se de realidades tão distintas como a de um senhor enclausurado numa casa de saúde mental para o resto da vida ou um rapaz da Cova da Moura que lança um disco promovido pelo “Moinho da Juventude” – uma organização de voluntariado dedicada à integração e dinamização deste bairro.

No entanto, eventos de sensibilização e de angariação de fundos são imprescindíveis e tornam ainda mais rica esta formação e “modo de vida”, como Inês Costa nos conta. “É o ambiente de grupo, os amigos que se fazem e a capacitação de conseguirmos fazer e organizar o que nunca pensávamos ser capazes que torna tão inesquecível esta Caminhada”, diz Maria Mouzinho.
E é também com esses fundos alcançados que, no verão, estes estudantes universitários partem em Missão. Numa comunidade Cigana ou em Países de Língua Oficial Portuguesa, desenvolvem projetos que chegam até dois meses, em cooperação com parceiros locais, contatando com uma realidade bem diferente daquela em que nasceram. Voltam e dizem que o mundo está diferente, mas eles também o estão. E dando a oportunidade a quem se atreve a conhecê-los, mudam vidas: a de quem chega, a deles próprios e a de quem os rodeia, agora e por muito tempo.

Um Dia Sem Sapatos pela 1ª vez em Portugal

Um Dia Sem Sapatos pela 1ª vez em Portugal. Na baixa lisboeta, o grupo de ação social GASNova desafia os portugueses a colocarem-se no lugar de quem não tem sapatos e a juntarem-se ao movimento internacional “One Day Without Shoes”. Esta ação conta com diversas dinâmicas e vai desafiar os portugueses a caminharem descalços em diferentes tipos de solos, a doarem um par de sapatos que poderão saber onde foram parar, a caminharem descalços na sua empresa durante a tarde e termina com uma Marcha Sem Sapatos. O One Day Without Shoes é um movimento internacional que visa alertar para um grande desafio de igualdade que o mundo atravessa. Este movimento foi criado pela marca TOMS, que, por cada par de sapatos comprado em países desenvolvidos, promete dar um par de sapato em países em desenvolvimento, esta tarde, 10 abril 2012, na Rua Augusta em Lisboa. JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

Para muitos, o mais importante da experiência acabou por ser a oportunidade de compreender melhor o mundo das pessoas, espaço de reflexão e conhecimento do pequeno cosmos que vive em nós. Porém, são muitos os jovens que almejam este investimento pessoal (ou, quiçá, profissional), mas não sabem que instituições procurar e onde encontrar determinada área de atuação. Existem, igualmente, os casos de quem entrou em contacto com projetos de voluntariado com os quais simplesmente não se identificava. Aqui fica mais um pedaço de mundo, para despertar em ti uma curiosidade (provavelmente) desconhecida até então.