Ansiedade

A ansiedade, muitas vezes rotulada como nefasta, tem um papel primordial no que diz respeito à adaptação ao meio social e à melhoria da performance do indivíduo. Assim sendo, podemos descrevê-la como uma “emoção saudável” que nos permite reagir perante adversidades e estímulos diversos. Mas quando a ansiedade torna proporções desadequadas podemos considera-la patológica, passando de veículo útil adaptativo do ser humano a perturbação mental. É uma perturbação com incidência crescente, principalmente  nos países desenvolvidos e em maior percentagem no sexo feminino na faixa etária entre os vinte e os cinquenta anos.

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As formas patológicas identificadas são várias: Perturbação do Pânico, Fobia social, Perturbação Obsessiva-compulsiva, Fobias simples, Perturbação da ansiedade generalizada e Perturbação de stress pós-traumático, variando entre si nas situações que propiciam medo ou nos objectos a que se associam, pensamentos ou crenças associadas.

Enquadramento Histórico

Esta perturbação desde sempre foi reconhecida, desde Burton que a designou de “anatomy of melancholy” (1996) até atingir a sua consagração oficial no DSM-III. Se nos referirmos à perturbação da ansiedade generalizada, esta era considerada juntamente com a perturbação do pânico como “neurose ansiosa”.

Apesar de ainda não ter sido descoberto nenhum gene responsável pela transmissão familiar da perturbação da ansiedade sabe-se que antecedentes familiares de ansiedade aumentam a probabilidade de sofrer do mesmo.

Sintomas

Quando a ansiedade tem compleição patológica faz-se guarnecer de sintomas específicos, tais como, mal-estar geral, taquicardia, sensação de falta de ar, secura das mucosas, sensação de medo,  alterações do padrão de sono e alterações gastrointestinais.

O que significa viver com ansiedade?

“Sempre fui aquilo a que geralmente se chama de “pessoa ansiosa”, no entanto só por volta do segundo ano da faculdade é que comecei a sentir que isto estava a afectar a minha vida. As insónias não se limitavam à época de exames e ocorriam até durante as férias; sentia-me cansada, com dificuldade em concentrar-me até a fazer as coisas que gostava e comecei a ficar irritada até para pequenas coisas… É fácil de imaginar como este período afectou as minhas relações com amigos e família porque sentia que ninguém compreendia aquilo que se passava, uma vez que nem eu mesma compreendia. Antes, quando estava nervosa sabia o porquê de estar assim… Podia ser devido a uma avaliação, a um problema pessoal que tinha que resolver, entre milhares de outras coisas…. Lembro-me particularmente bem do que pensava quando me diziam para relaxar: “Será que as pessoas julgam que eu estou assim porque quero?”; “Será que não entendem que isso é o que eu tento fazer todos os dias sem sucesso?”.

Demorei algum tempo a admitir que tinha um problema e a procurar ajuda… A verdade é que ainda existe um estigma muito grande com perturbações psiquiátricas, até por nós (estudantes de medicina) que já ouvimos falar do DSM-5… Temos medo que achem que somos doidos ou fracos.

Agora apenas me arrependo de não ter procurado ajuda antes; termos alguém que nos diga que não estamos a perder a cabeça e que há tratamento possível permitiu-me voltar a respirar”.

P.A. (Estudante de Medicina)

Tratamento

De facto, hoje em dia existem diversas possibilidades de tratamento desde as psicoterapias aos psicofármacos. Os psicofármacos mais usados são ansiolíticos como as Benzodiazepinas, os Antidepressivos (Serotoninérgicos/Noraderenergicos/ Triciclicos), os B-Bloqueantes e outros como a Pregabalina e a Buspirona. Em relação à Psicoterapia existem como possibilidades o aconselhamento, terapia cognitivo-comportamental e a orientação psicanalítica, estratégias que podem ser feitas individualmente ou em grupo. Um especialista vocacionado para a área da psiquiatria será a melhor pessoa para delinear a melhor estratégia tendo em conta todas as condicionantes e efeitos nefastos que dela possam advir.

Contudo não podemos esquecer que existem uma série de conselhos úteis que apesar de parecerem pouco proveitosos para controlo de ansiedade poderão ter resultados muito favoráveis na nossa vida:  tentar mudar a nossa atitude perante os problemas diários, manter pensamentos positivos, valorizar-se, dedicar algum tempo alguma actividade que dê prazer são estratégias simples, seguramente sem contra-indicações e que podem fazer muito pela saúde da mente!

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