Vacina, uma arma aliada.

As vacinas (designação com origem em vaccinia, o agente infeccioso da varíola bovina) são substâncias como proteínas, toxinas, bactérias ou vírus atenuados ou mesmo porções destes, capazes de «educar» o organismo a proteger-se e defender-se dos intrusos através da estimulação da produção de anticorpos específicos contra determinados agentes patogénicos.

polio vacina
Vacina anti-poliomielite

É graças a elas (as vacinas) que se erradicaram várias doenças fatais (quase) totalmente da face da Terra. A primeira foi a varíola, dada como erradicada pela OMS em 1980 e considerada uma das doenças mais devastadoras da história da humanidade. Outro exemplo é a poliomielite, ainda não erradicada, mas a caminho de desaparecer, uma vez que se vive uma luta constante com o apoio de várias organizações mundiais desde o desenvolvimento da vacina em 1950.

No entanto, nos dias de hoje a prevalência das diversas patologias é bastante divergente da verificada há 50 anos, sendo que o aumento da incidência de neoplasias, especialmente malignas, são a principal preocupação dos profissionais de saúde.

Sabe-se que os agentes infecciosos (vírus e bactérias) estão na origem de vários cancros, como por exemplo a Helicobacter pylori que predispõe para o cancro gástrico, os vírus das hepatites B e C (HBV e HCV) associados ao cancro do fígado, o vírus Epstein-Barr (EBV) associado ao linfoma e cancro da nasofaringe, e o papilomavírus (HPV), a principal causa de cancro cervical, anal e orofaríngeo.

Os tumores associados a infecções constituem cerca de 20% de todos os cancros no Mundo, principalmente nos países em desenvolvimento, e causam mais de 2 milhões de malignidades por ano.

Em condições normais, a imunidade exerce a sua função e ajuda a prevenir o desenvolvimento destes cancros contudo, em pessoas imunodeprimidas a incidência e a agressividade aumentam consideravelmente. Assim, como é evidente, as vacinas são uma arma de virusrelevância no combate a estes casos. As vacinas para o HPV e HBV já são efectivas, enquanto outras vacinas estão em desenvolvimento.

Como é lógico, o desenvolvimento de novas vacinas (HCV e EBV) pode servir como ferramenta eficiente de prevenção para reduzir a morbilidade e mortalidade em todo o Mundo e com os avanços da imunobiologia e consequente compreensão dos mecanismos de patogénese das neoplasias, tanto benignas como malignas, é provável que se desenvolvam vacinas para prevenção de outros cancros não relacionados com infeção.

 Visão em Portugal

Como publicado no Jornal «Público» em Abril deste ano, um quinto da população portuguesa desvaloriza a vacinação por considerar que “há doenças que já estão a desaparecer”, concluído num estudo denominado “O Valor das Vacinas e da Vacinação». Apesar da maioria da população portuguesa reconhecer a importância do acto de vacinação, 20% dos inquiridos desconhece se realizou todasvacinas as vacinas e outros 20% desvalorizam a vacinação, sendo que 11% destes acreditam ainda que algumas vacinas têm mais riscos associados do que benefícios, uma questão pertinente, se pensarmos no conteúdo duma vacina. Será que é totalmente segura?

Já os profissionais de saúde, 9 em 10 acreditam no contributo das vacinas para a erradicação de doenças a nível mundial e 99% consideram o Programa Nacional de Vacinação (PNV) um “sucesso”.

Contudo, os médicos identificaram algumas lacunas no PNV relativamente às vacinas e à sua abrangência. Quase todos os pediatras inquiridos acrescentariam ao Plano Nacional de Saúde (PNV) a vacina anti-pneumocócica, enquanto apenas 40% deles adicionavam a inoculação contra o rotavírus.

É na base nesta oposição de opiniões e atual momento de crise financeira que surgem outras questões como: deverão também os rapazes ser vacinados com a vacina contra o HPV?

O que é o Programa Nacional de Vacinação (PNV)?

O PNV é da responsabilidade do Ministério da Saúde e integra as vacinas consideradas mais importantes para defender a saúde da população portuguesa. As vacinas que fazem parte do PNV podem ser alteradas de um ano para o outro, em função da adaptação do programa às necessidades da população, nomeadamente pela integração de novas vacinas.PNV

Vacinação do Viajante

A vacinação em viagem depende do local de destino, e sempre que se pretende viajar para fora da Europa deve dirigir-se a uma consulta do viajante para aconselhamento de medidas preventivas e avaliação das condições de saúde.

Consultar: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/saude+em+viagem/consulta+de+saude+do+viajante.htm

O Regulamento Sanitário Internacional em vigor estipula que a única vacina que poderá ser exigida aos viajantes na travessia das fronteiras é a vacina contra a febre amarela. No entanto, alguns países não autorizam a entrada no seu território sem o comprovativo de vacinação contra outras doenças. É o que acontece com a vacina contra a doença meningocócica, imposta pela Arábia Saudita aos peregrinos que se dirigem a Meca. Outras vacinas muito indicadas: cólera, difteria, encefalite japonesa, hepatite A, hepatite B, gripe, raiva, tétano e febre tifóide.

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Aluna do 6º ano do MIM na FCM-UNL, oriunda de Loulé, apaixonada pela praia, pelo sol e pelo campo, ingressa na FCM em 2010 e desde 2012 que colabora com a secção de Saúde e Bem-Estar da FRONTAL. Como amante de desporto e praticante de atletismo, veste as cores da universidade NOVA e leva o nome desta mui nobre faculdade aos campeonatos universitários. Ao desporto alia o seu clarinete que toca desde os 8 anos e um gosto amador pela pintura, o que não pode acontecer é ter tempo livre. Tem especial curiosidade e apetência pelo estudo e compreensão do mundo que a rodeia, o que a leva a questionar e a querer descobrir as razões e as soluções para os problemas que surgem no seu caminho.

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