NOVA Revoluciona a Terapêutica para o Cancro da Mama

Segundo a Liga Portuguesa contra o cancro, em Portugal surgem aproximadamente 4.500 novos casos de cancro da mama por ano, o que significa que 1 em cada 10 mulheres irá desenvolver cancro da mama nalgum momento da sua vida.

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Foi precisamente a extraordinária prevalência deste carcinoma e a necessidade de aperfeiçoar a sua terapêutica que despertou o interesse do grupo de Glicoimunologia liderado pela investigadora Paula Videira, culminando esta investigação na atribuição do Prémio de Mérito Cientifico Santander Totta / Universidade NOVA de Lisboa, para o projeto de investigação: Engenharia de anticorpos para tratamento de cancro da mama.

A colaborar para o sucesso da investigação destacam-se José Ramalho (Faculdade de Ciências Médicas), Carlos Novo (Instituto de Higiene e Medicina Tropical), Angelina Sá Palma e Ana Luísa Carvalho (Faculdade de Ciência e Tecnologia).

A Professora Paula Videira e a Doutora Mylène Carrascal, também do grupo de Glicoimunologia, explicam:

“A investigação em cancro permitiu-nos identificar uma característica muito própria das células malignas e, em particular, as de cancro da mama. Trata-se da glicosilação aberrante, ou seja estas células expressam à sua superfície glicanos (um tipo de açúcares) muito diferentes dos encontrados nas células normais. Os glicanos designados de sialil-Tn são particularmente expressos por células de cancro da mama em estadios iniciais e geralmente associados a um mau prognóstico. Descobrimos ainda que estes glicanos exercem um efeito imunossupressor. Ou seja, suprimem a atividade das células do nosso sistema imunitário, impedindo que estas possam destruir as células malignas, mecanismo pelo qual estes glicanos promovem a progressão tumoral.

Com o nosso projeto pretendemos através da engenharia de anticorpos desenvolver uma terapia inovadora. Os anticorpos são moléculas importantes da resposta imunitária do nosso organismo, capazes de reconhecer outras moléculas com uma especificidade singular. Tirando partido destas características, pretendemos desenhar e criar novos anticorpos capazes de realizar duas tarefas: ligar especificamente o sialil-Tn, direcionando a terapia às células de cancro da mama, e, simultaneamente, ativar o sistema imunitário do doente, capacitando-o a destruir as células malignas. Este projeto tira partido do conhecimento e complementaridade de todos os membros da nossa equipa, pois abrangemos as áreas de Imunologia, Glicobiologia, Engenharia Molecular e Biologia Estrutural, essenciais ao projeto. Visa também compreender melhor o papel dos glicanos e identificar formas de ultrapassar o problema do escape das células malignas às defesas sistema imunitário.

Esta estratégia de manipular o sistema imunitário de forma a que este possa eliminar células tumorais com alta especificidade, tem potencial para vir a ser traduzida numa terapia mais eficaz e com menor toxicidade, relativamente às atuais soluções terapêuticas.”

É superando os limites da ciência que esta equipa dá uma nova esperança a todas as mulheres e respetivas famílias.

Imagem Equipa NOVA-Santander[hr]

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