Porque nos devemos preocupar com a diabetes

Verdadeira pandemia do séc. XXI, a diabetes afeta hoje mais de 387 milhões de indivíduos. Entre complicações agudas e outras de longo prazo, a doença mata e reduz significativamente a qualidade de vida daqueles que dela sofrem. Razões suficientes para nos preocuparmos? 

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diabetes mellitus é descrita como sendo uma doença metabólica crónica, caracterizada por níveis elevados de glucose sanguínea – hiperglicemia. Existem dois tipos principais de diabetes: tipo I e tipo II. A primeira é causada pela destruição das células produtoras de insulina pelo sistema de defesa do organismo, geralmente devido a uma reação autoimune. Pode afetar qualquer faixa etária, tendo maior incidência nas crianças e nos adultos jovens. A diabetes tipo II, bastante mais frequente, resulta na fraca produção de insulina ou na ineficácia da sua utilização, sendo mais frequente a partir dos 40 anos. Existem outros tipos não tão frequentes, como a diabetes gestacional, a LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults), a MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young), insulinopatias…


Reconhecida há muito como sendo um problema de saúde pública, a diabetes afeta milhões de pessoas e atinge a sociedade em geral, sem exceção. A globalização, aliada ao desenvolvimento tecnológico, têm conduzido a um agravamento dos níveis de sedentarismo e obesidade, contribuindo para o aumento das taxas de prevalência e incidência da diabetes para valores alarmantes em todo o mundo – os tablets, os computadores portáteis, a televisão… tudo contribui para um decréscimo da atividade física. Este facto, aliado ao boom do fast-food, à alimentação cada vez mais desequilibrada, contribuem para o aumento dos fatores de risco, tal como comprovado por dados estatísticos em todo o mundo.

Em Portugal, a prevalência da diabetes tem registado um contínuo aumento percentual e os dados da Direção-Geral de Saúde de 2013 estimam que atinja cerca de 13% da população entre os 20-79 anos. Ainda mais preocupante é o facto de cerca de 44% desses doentes não terem sido previamente diagnosticados. Curiosamente, a percentagem de homens com diabetes mellitus (15,6%) é significativamente superior quando comparada com a de mulheres com a mesma doença (10,7%). Verifica-se também, sem surpresa, um aumento da prevalência com a idade, sendo que um quarto das pessoas entre os 60-79 anos têm diabetes – o envelhecimento da estrutura etária da população portuguesa refletiu-se num aumento de 1,3 pontos percentuais na prevalência entre 2009 e 2013.

Em 2013, 44% dos doentes com diabetes mellitus em Portugal não tinham sido previamente diagnosticados.

Como já é conhecido, existe uma estreita relação entre o excesso de peso e a diabetes (tipo II) – perto de 90% da população com esta doença apresenta excesso de peso (49,2%) ou obesidade (39,6%). A prevalência da diabetes nas pessoas obesas – Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 30 – é cerca de quatro vezes superior, comparando com indivíduos com IMC normal (<25).

Para além desta, também é importante considerar a hiperglicémia intermédia, também designada de pré-diabetes, que resulta de uma alteração da glicémia em jejum, da tolerância diminuída à glicose, ou de ambas. Juntando todos estes dados, os números são verdadeiramente chocantes: 40% da população portuguesa (3,1 milhões de indivíduos) tem diabetes ou hiperglicémia intermédia. Por dia, são diagnosticados cerca de 160 novos casos…

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Em relação ao panorama mundial, dados da International Diabetes Federation apontam para uma taxa de prevalência de 8.3%, correspondendo a cerca de 387 milhões de indivíduos, 46.3% dos quais sem diagnóstico prévio (cerca de metade dos casos!). Isto significa que uma em cada 12 pessoas tem diabetes! No ano de 2012, dados da WHO (World Health Organization) estimam 1.5 milhões de mortes, diretamente causadas por esta doença, sendo que 80% destas ocorreram em países não desenvolvidos e em desenvolvimento.

Previsões catastróficas indicam que o número de diabéticos aumentará para 592 milhões em 2035, havendo por isso 205 milhões de novos casos. Dadas as inúmeras complicações associadas a esta doença, estima-se que seja considerada, no futuro, a 7ª maior causa de morte no mundo.

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Analisando todos os dados, nacionais e internacionais, conclui-se que existem muitos fatores que influenciam este aumento percentual – desde logo o aparecimento e aperfeiçoamento das novas tecnologias, que levam cada vez mais ao sedentarismo e à falta de exercício físico; este facto tem como consequência inevitável o aumento de peso e o acréscimo dos níveis de obesidade, que, como já referido, tem uma estreita relação com a diabetes tipo II; por fim, e não sendo independente dos últimos fatores, a alimentação cada vez mais desequilibrada, dispensando alimentos importantíssimos em prol da “comida de plástico”, fast-food

A diabetes afigura-se como um dos mais graves problemas de Saúde Pública mundial dos tempos modernos. Sendo uma doença há muito identificada, com números assustadores de incidência e prevalência, as complicações associadas tornam esta patologia uma causa de morte cada vez mais frequente. Embora não exista, para já, cura para a diabetes, formas de prevenção poderão ser implementadas, podendo qualquer pessoa adotá-las, alterando de forma pouco significativa os seus hábitos.

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