“A Abordagem Multidisciplinar de um Doente”, Dra. Luísa Quaresma | III Jornadas Médicas da Nova

LQ

Formada em Medicina pela Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas há 22 anos, a Dra. Luísa Quaresma é especialista em Cirurgia Geral há pouco mais de uma década, tendo já trabalhado em diversas instituições hospitalares e adquirido competências tanto na formação pré-graduada (enquanto professora da UC Fisiopatologia e Alvos Terapêuticos) como na pós-graduada (“tenho internos a meu cargo”). Apesar da sua formação ultra-específica em cirurgia esófago-gástrica – e de ser a mais nova do grupo –, é ela a coordenadora das reuniões multidisciplinares que decorrem semanalmente na Unidade de Patologia Esófago-Gástrica do Hospital Curry Cabral. Veio esta tarde à Reitoria da Universidade Nova de Lisboa dar uma palestra sobre “A Abordagem Multidisciplinar de um Doente”, no âmbito da terceira edição das Jornadas Médicas da NOVA. A Frontal dá-te a conhecer o âmago desta sessão.

Se por um lado “entre o doente e o médico há coisas que nunca deverão mudar, como a relação de confiança e a empatia”, defende a Dr.ª Luísa Quaresma, o certo é que o paradigma da relação médico-doente mudou. E adianta: “passou de uma relação pessoa-pessoa para uma relação pessoa-equipa-pessoa, em que tanto o doente como o médico estão integrados num contexto”. Neste sentido, as reuniões multidisciplinares (também chamadas consultas multidisciplinares ou reuniões de decisão de grupo, consoante a instituição considerada) são uma pedra angular da prática clínica, por promoverem o entrecruzamento das diversas perspetivas que cada profissional de saúde representa (oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas, anatomopatologistas, imagiologistas, entre outros). Além destes, a figura do coordenador torna-se indispensável para “promover o fluir da comunicação, a discussão e o avançar das hipóteses de tratamento”, pelo que o seu contributo não passa diretamente por facultar opinião clínica.

Temos a obrigação de utilizar o melhor conhecimento atual para o doente individual.

A medicina baseada na evidência assenta sobre um tripé constituído pela expertise clínica do médico, pela evidência científica e pelas circunstâncias/valores do doente. Esta tríade traduz-se num princípio fundamental que a Dr.ª Luísa enuncia sucintamente: “temos a obrigação de utilizar o melhor conhecimento atual para o doente individual”. Ora, a abordagem multidisciplinar centrada no doente alimenta justamente esse objetivo: não só permite conglomerar o conhecimento trazido por cada profissional, concorrendo assim para a definição do plano diagnóstico e terapêutico e a sua adequação, de forma personalizada, ao doente em causa, como ainda salvaguarda a partilha das responsabilidades inerentes à tomada de decisão, o que “abona a favor quer do doente quer do médico” (devendo este último adotar impreterivelmente uma conduta de honestidade científica, deixando bem claro o domínio de conhecimentos em que a sua atuação é segura e sustentada).

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