NASA Flight Surgeon

medicos-espaço

És uma pessoa aventureira? Desde criança idealizas ser astronauta? A descoberta do Universo sempre foi uma paixão tua, mas a sensatez levou-te ao mundo da Medicina? Nada está perdido. Podes juntar os dois mundos: Medicina e Espaço. Basta que te tornes um flight surgeon numa agência espacial.

Flight Surgeon da NASA

É o médico responsável pelo estado de saúde dos astronautas ao longo de toda a missão espacial, ocupando-se desde a seleção e preparação física e psicológica para o ambiente hostil do Espaço, até à readaptação à Terra após o regresso, passando também, obviamente, pela prevenção e auxílio na resolução de eventuais problemas médicos que ocorram a bordo.

Apesar do termo “surgeon” (“cirurgião” em inglês), não é comum estes médicos realizarem cirurgias. Este termo remete ao léxico militar americano, onde os médicos, independentemente da especialidade, foram chamados de “cirurgiões” durante muitos anos.

Esta carreira é fascinante porque permite verdadeiramente participar na construção da História da Humanidade, desafiar os limites do corpo humano, utilizar a tecnologia mais sofisticada do mundo e cooperar com os profissionais mais qualificados de cada ramo. Nesta área a inovação é constante e fazer algo pela primeira vez pode ser a rotina!

Como colabora um médico na preparação de uma missão espacial?

Em primeiro lugar, cabe aos flight surgeons a seleção dos candidatos a astronauta, realizando inúmeros testes médicos de critérios rigorosos, a fim de escolher as pessoas que melhor se adaptarão ao ambiente exigente do Espaço. Só cada teste psiquiátrico dura 8 horas!

Estes médicos também são responsáveis pela preparação física e psicológica dos astronautas e pelo ensino de técnicas de life-saving, visto que em situações de emergência o contato com a Terra pode estar limitado.

Assim, ensinam a caminhar em microgravidade, manusear o equipamento médico de emergência, avaliar os sinais vitais, executar técnicas de ressuscitação cardíaca, administrar injeções, fazer colheitas de sangue, entre outras tarefas cruciais para a resolução de momentos críticos.

O treino médico inicia-se entre dois a dois anos e meio antes do lançamento e é feito sempre pelo mesmo profissional de saúde, que só está responsável por um a dois membros da tripulação, estabelecendo-se facilmente uma relação de confiança entre eles.

Mesmo após a entrada no corpo de astronautas, o estado de saúde destes é continuamente reavaliado, sendo inclusive a tripulação colocada em quarentena na semana anterior ao início da missão, de modo a assegurar que partem em condições perfeitas de saúde.

Quais são as principais alterações fisiológicas a ter em conta na adaptação ao espaço?  

Os astronautas têm maior suscetibilidade para infeções e sofrem de alteração dos padrões de sono (os raios solares entram na cabine do piloto a cada 90 minutos); desorientação espacial e enjoo do movimento; alteração do ar respirado; envelhecimento precoce devido à falta da proteção conferida pela camada de ozono da Terra; e redistribuição dos líquidos corporais, com consequente aumento da pressão intraocular; cefaleias, desidratação e aumento da produção de secreções nasais.

Além disso, como no Espaço a força gravitacional não é tão forte, o esforço muscular encontra-se diminuído e o impacto sobre os ossos é quase nulo, resultando em atrofia muscular e diminuição relativa da atividade construtiva da matriz óssea. Os astronautas perdem cerca de 1% de densidade mineral óssea por mês (o normal é a perda de 1-1,5%, por ano), o que pode ser minimizado através da dieta e do exercício físico. Com o aumento relativo da reabsorção óssea, maior é a quantidade de cálcio libertada para o sangue e, por isso, também maior é o risco de excreção de cálcio na urina e formação de cálculos renais.

E se acontecer algum problema de saúde a bordo?

Os flight surgeons comunicam regularmente com a tripulação através de áudio ou videoconferência. Os assuntos mais abordados estão relacionados com o cansaço, exercício físico e Medicina Ocupacional. O estado de saúde da tripulação também é monitorizado durante o voo através de testes mensais ou bimensais, controlando-se, nomeadamente, os sinais vitais e o peso. Quando há atividades de maior relevância, como caminhar no Espaço, também se avalia a função respiratória dos astronautas.

Caso surja algum problema de saúde a bordo, os astronautas podem recorrer ao kit médico de emergência. Os problemas mais comuns – fadiga, lombalgias e enjoo – são facilmente tratados sem falar com o médico. Nos casos mais preocupantes, tenta-se estabelecer contato fora das conferências agendadas, em que se pode inclusive enviar imagens úteis para o diagnóstico. Esta tarefa é obviamente facilitada quando há médicos a bordo.

É essencial para a prática clínica no Espaço ter em consideração a falta de força gravitacional, visto que qualquer material pousado desaparece rapidamente e que esta é necessária para, por exemplo, fazer correr uma solução salina. Além disso a tripulação, apesar de altamente qualificada e treinada, peca por ser em número reduzido (há tripulações só com 3 elementos) e por nunca ter a mesma experiência de base que um médico.

Os astronauras precisam de se adaptar novamente a terra?

Antes do regresso à Terra, os médicos avaliam fisicamente os astronautas para aprovar o seu retorno. Após a aterragem, estes ficam cerca de uma hora a ser examinados; só então podem voltar a casa, a que se segue um período de recondicionamento de 45 dias. O tempo que demora a recuperar a vida normal varia de pessoa para pessoa e da gravidade das possíveis lesões, ainda que, por norma, o organismo recupere rápido.


nasa