Doação de Amor, Doação de Sangue

Massa amorfa, acordai e ide, ide doar sangue!

A doação de sangue é um dos actos mais simples que pode salvar vidas. Sendo um acto altruísta, ficamos, ironicamente, sempre a ganhar. E o que se ganha? Uma “espécie de frio na barriga” e um orgulho gigante porque sabemos que aquele sangue vai ser útil a alguém.  Saímos do local da doação com a maravilhosa sensação de que acabámos de salvar o mundo. E sai-se com um sorriso também.

Esse sangue (esse mísero meio litro) poderá ser essencial a um senhor de meia idade que precisa de uma transfusão, ao senhor Manuel – tão parecido com o teu avô – que tem uma anemia grave e precisa do teu sangue. Ou um politraumatizado grave, uma menina, uma mulher que teve uma hemorragia grave. Pode ser o teu vizinho. Pode ser alguém da tua familia. Então, em vez de ficares sentado no sofá com preguiça de estender o braço, levanta-te e doa sangue. Não custa nada e só te traz benefícios.

Já algumas vez imaginaste doar amor? Não. Porque na verdade não imaginas. Só se sente. Tu sentes o que é doar amor quando estendes o braço e vês sair o teu sangue. Esse sangue é ouro para alguém.

E, parabéns, acabaste de ajudar a salvar uma vida.

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Uma brisa de história “sanguinária”

As primeiras tentativas de transfusão de sangue foram arquitetadas pouco depois de William Harvey, em 1628, ter descrito a circulação humana. De facto, a ideia parecia tão promissora que, trinta e sete anos depois, o médico inglês Richard Lower conseguia realizar a primeira transfusão bem sucedida em cães. Apenas dois anos mais tarde, o mesmo médico, juntamente com Edmund King, conseguiram transfundir sangue de uma ovelha para um humano. Só em 1818 é que é feito, com sucesso, uma transfusão humana, por James Blundell, médico obstetra, com o intuito de impedir uma hemorragia pós-parto.

Infelizmente, a História da Medicina não é feita só de sucessos. Por cada transfusão bem sucedida, uma série de outras tantas resultavam ora na morte do dador, ora, mais frequentemente, de quem recebia a dádiva. Os vários cientistas que se dedicaram ao estudo das reações transfusionais rapidamente rotularam estas complicações como “incompatibilidades” entre o sangue do dador e receptor, ainda que não entendessem quais os mecanismos fisiopatológicos subjacentes. Em 1901, Karl Landsteiner, um médico austríaco, descobre os três grupos de sangue, levantando, assim, a ponta do véu do mistério que envolvia as “misturas de sangue”. Três anos depois, classificou os grupos sanguíneos em A, B e 0, mas só mais tarde foram feitas as primeiras provas de compatibilidade antes de uma transfusão, em meados dos anos 40. Landsteiner pertencia igualmente ao grupo que, na década de 30, descreveria o factor Rhesus. A partir destas descobertas, as transfusões passaram a ser feitas de forma a que dador e receptor tivessem o mesmo grupo sanguíneo.

No final da Segunda Guerra Mundial, graças a um dos primeiros programas de angariação de sangue, a Cruz Vermelha conseguiu cerca de 7 milhões de litros de sangue. Com o fim da Guerra adveio igualmente a necessidade de um controlo mais apertado da transmissão de doenças, como a sífilis, que começaria a ser rastreada nas dádivas em 1947. Actualmente, são rastreadas doenças como HIV-1 e 2, Hepatite B e C, HLTV, Malária e CMV.

Siga dar sangue!

Para dar sangue, basta querer. Podes dá-lo nos Centros Regionais do Instituto Português do Sangue, IP:

Lisboa – dias úteis e Sábados das 8:00h às 19:30h;

Porto – dias úteis das 9:00h às 19:00h e Sábados das 9:00h às 13:00h;

Coimbra – dias úteis das 8:00h às 20:00h e Sábados das 8:00h às 13:00h.

http://www.dador.pt/onde-dar

 

Mas, se quiseres dar sangue sem ires mais longe que a tua faculdade, basta apareceres na Cave, no Edifício do Bar, amanhã, dia 14 de Abril, entre as 9:30 e as 19:00. Aparece!

 

Ainda tens dúvidas?

“Que idade é preciso ter para doar sangue?”

Para ser dador de sangue, terás de ter idade compreendida entre os 18 e os 65 anos (até aos 60 anos se for uma primeira dádiva) e hábitos de vida saudáveis.

“A partir de que peso e altura posso doar sangue?”

Qualquer pessoa com peso igual ou superior aos 50 kg pode dar sangue. Terás de ter mais de 1, 5m de altura. Confia na experiência do especialista que te vai fazer o exame clínico.

“Não tenho muito tempo para doar sangue.”

Todo o percurso da dádiva, começando na inscrição, passando pela triagem clínica, colheita e terminando na refeição, demora cerca de 30 minutos.

“Tenho que doar em jejum?”

Não, nem pensar. Tens que comer antes de ir doar sangue.

“Há algum cuidado extra para o pós-doação?”

Terás de ter em atenção os líquidos. Para favorecer a reposição de liquidos terás de beber um pouco mais de água. E não decidas fazer a maratona no dia em que doas sangue!

“O sangue que doei irá fazer-me falta?”

Não. Num adulto normal existem entre 5 e 6 litros de sangue. Uma pessoa saudável pode doar sangue regularmente sem que esse facto prejudique a sua saúde.

“E posso repetir a doação?

Podes repetir a dádiva sem qualquer inconveniente para a tua saúde e bem-estar. (os homens de 3 em 3 meses e as mulheres de 4 em 4 meses).

“Depois de doar sangue sentir-me-ei enfraquecido?”

Não. Apenas são colhidos cerca de 450ml de sangue. As proteínas e as células sanguíneas existentes neste volume são rapidamente repostas em circulação pelo organismo. Momentos após a dádiva de sangue, qualquer pessoa pode voltar à sua ocupação normal.

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