iMed Conference 6.0 – Connecting Science

Finalizando um período ansiogénico e de muita expetativa, foram revelados, no passado dia 19 de maio, os pratos fortes da próxima edição do iMed Conference®, que se realizará nos dias 10, 11 e 12 de outubro do presente ano, em Lisboa. Esta revelação tomou lugar na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM-UNL), na emblemática Sala dos Actos, naquele que foi o Evento de Lançamento da 6ª edição do congresso, especialmente dedicado a estudantes de Medicina.

imagem para Frontal

Foi a Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa (AEFCML), Teresa Nóbrega, que iniciou a sessão, reforçando a importância da intervenção social dos estudantes de Medicina, que deve ser potenciada nos dias de hoje, para que seja máximo o seu envolvimento em atividades extracurriculares, e daí advenha o amadurecimento e formação essenciais para a sua postura enquanto futuros profissionais de saúde. Concluiu a sua intervenção dizendo que, mesmo em tempo de restrições financeiras, os estudantes não devem ambicionar menos do que transpor “aquilo que de melhor se faz a nível internacional” para o nosso meio.

frontalfoto8

Teresa Nóbrega, presidente da AEFCML, dá inicio à sessão de abertura

Quanto à quinta edição do iMed, que contou com cerca de 500 participantes, foram passados em revista os momentos mais marcantes e os pontos altos do congresso. Com sede na Reitoria da UNL, contou com a presença de personalidades incontornáveis da medicina contemporânea e do século XX, de entre os quais laureados com o Prémio Nobel da Medicina – Richard Roberts, Harald zur Hausen e Robin Warren – e da Química – Ada Yonath. Compareceu também Charles Brunicardi, aclamado Best Doctor in America em 2011 e autor do sobejamente conhecido tratado de cirurgia Schwartz’s Principles of Surgery (que também nos acompanhará na edição 6.0!). Catarina Reis, Presidente da Comissão Organizadora do iMed Conference®, referiu-se a esta quinta edição como um “marco inegável na história dos congressos organizados por estudantes a nível nacional, e mesmo internacional”. Apesar do sucesso e do grande salto qualitativo que representou a última edição, a atual comissão organizadora propõe-se a elevar ainda mais o patamar de exigência, trazendo-nos um iMed Conference 6.0 com muitas novidades de relevo.

O congresso terá as seguintes vertentes: Scientific Lectures, Keynote Lectures, Competitions, Workshops e as novas iMed Sessions.

As sessões científicas dividem-se em quatro áreas, inovadoras e em rápido crescimento: Neuropsiquiatria, Imuno-oncologia, Infecciologia e Man & Machine. Estas contarão com a presença de oradores de referência a nível internacional, tais como o Professor Grégoire Courtine, conhecido pela sua investigação sobre lesões da medula espinhal, ou o Professor Alexander Levitsky, pioneiro no desenvolvimento de inibidores da tirosina cinase, entre muitos outros.

Haverá ainda oportunidade, nas Keynote Lectures, de aprender com personalidades de excelência premiados mundialmente, de entre eles o Professor Andrew Shally e o Professor Bengt Samuelsson, Prémios Nobel da Medicina ou Fisiologia em 1977 e 1982, respetivamente.

frontalfoto6

Os dois “prémios Nobel” que visitarão Lisboa em outubro de 2014 são anunciados por Catarina Reis, presidente do iMed Conference 6.0

Para além disto, não faltarão vários Workshops práticos onde os participantes poderão aprender e fazer por eles mesmos. E claro, as já conhecidas Innovate Competition e Clinical Mind Competition. A primeira contará com a presença da Drª Stella Hurtley , editora da revista científica Science e, na última, teremos a honra de contar com a presença e contribuição da Drª Lisa Sanders, médica internista, professora na Universidade de Yale e ex-consultora médica da série “House, MD”.

Por fim, as iMed Sessions: um novo conceito criado este ano com um objetivo principal – inspirar os participantes. Serão um espaço criativo e mais intimista, um palco para debate de temas como a relação entre anatomia cerebral e desejo de consumo, música e intelecto, e até de que forma o ambiente aeroespacial pode alterar a fisiologia do nosso corpo.

Eduardo Freire Rodrigues, vice-presidente da CO do iMed Conference 6.0®, apresentou a diversa oferta social, onde estarão incluídos um jantar de gala e uma prova de vinhos, e as facilidades de acesso ao congresso, tanto para visitantes nacionais como internacionais, graças às parcerias com a CP (Comboios de Portugal) e TAP (Transportes Aéreos Portugueses). Finalmente, agradeceu aos diversos parceiros que tornarão este projecto realidade, permitindo trazer os melhores oradores do mundo a preços acessíveis para os visitantes.

Aquecimento Global e o Retorno da Malária a Portugal: uma Ameaça Real?

À apresentação da nova edição do congresso seguiu-se uma palestra ministrada pelo Professor Doutor Miguel Prudêncio, investigador do Instituto de Medicina Molecular, que viria a acontecer no sentido de questionar e debater o regresso da malária a Portugal em virtude do Aquecimento Global.

IMG_3684

Professor Miguel Prudêncio, cientista visionário dedicado ao estudo da malária

Desde o célebre documentário “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore, que se lançou o alerta sobre este assunto. Segundo o político estadunidense, graças ao aquecimento global, os mosquitos do Nairobi seriam capazes de atingir novas altitudes, ocupando espaços onde outrora não existiram. Tal transformação seria responsável pela transmissão de doenças ligadas a vetores invertebrados, nomeadamente a malária, lançando o alerta na comunicação social.

Para contrariar a visão de Al Gore, Miguel Prudêncio mostrou também um fragmento de um documentário no qual o Professor Paul Reiter afirma que a malária “não é uma doença tropical”. Segundo o catedrático a pior epidemia de malária alguma vez registada ocorreu na URSS na década de 1920, em regiões árticas. Este afirma ainda que a ideia de que a malária é uma doença tropical que se alastrará até o hemisfério norte resulta de uma farsa da “irmandade do aquecimento global” (sic).

Miguel Prudêncio trouxe ao público conclusões de diversos artigos científicos que afirmam, entre outras coisas, que “quando a temperatura aumenta, o parasita desenvolve-se mais depressa mas é menos virulento”.

Depois de revisão global, o investigador focou-se no caso de Portugal, em que vários esforços foram feitos no sentido de erradicar a malária, tanto que o último caso de malária não importada data de 1959.

De acordo com o investigador, a resposta à tese inicial “O aquecimento global poderá trazer a malária a Portugal?” é a seguinte: “Não, enquanto tivermos um SNS eficiente e usarmos corretamente fármacos eficazes (…) não há condições que permitam a criação de um reservatório de parasitas que leve à transmissão de malária em Portugal nos próximos anos.” E acrescenta “Num local onde o SNS não é eficiente, como na África subsahariana, há condições para ter o parasita em casos não tratados, o que fecha o triângulo (parasita, mosquito, humano)”.

frontalfoto4

Modelo do triângulo da malária.
Apesar de Portugal ter os três vértices do triângulo: habitantes humanos, mosquito com capacidade vectorial e casos de malária importados (parasitas); O país não regista nenhum caso endémico desde 1959

No final da apresentação, o Professor Doutor António Sousa Guerreiro manifestou o total apoio da FCM-NOVA ao projeto iMed, por ser um veículo promotor de quatro grandes objetivos da faculdade: inovação, criação de valor económico e social, promover a investigação e a internacionalização.

Após realçar os diversos esforços da instituição em prol destes princípios, tais como os diversos grupos de investigação, reformas curriculares pioneiras e Mestrados de referência, o Professor comparou o atual projeto com o “XV Congresso Internacional de Medicina” em 1906. Esta teve como secretário-geral o Dr. Miguel Bombarda e foi indispensável para que as obras decorrentes no edifício do Campo Mártires da Pátria fossem aceleradas. Isto permitiu a instalação da Faculdade de Medicina de Lisboa (com sediada no Hospital de Santa Maria) no recinto.

A mensagem, transmitida pelas palavras da Presidente da Comissão Organizadora do iMed Conference, Catarina Palma dos Reis, de que os estudantes “no futuro, podem ser e fazer o que quiserem”, não podia ser melhor alicerçada pela demonstração do excelente trabalho já realizado na preparação do congresso, pela determinação, vontade de inovar e inspirar futuros médicos.

A “Vacina para a Malária”, que está a ser desenvolvida pelo Professor Miguel Prudêncio no Prudêncio Lab do IMM, será um dos temas contemplados nas Scientific Lectures do iMed 6.0, em outubro.

Sobre a malária, a FRONTAL acrescenta apenas alguns dados recolhidos durante a comunicação oral do Professor Miguel Prudêncio, sendo que esta se trata de uma doença causada por um parasita protozoário, do género Plasmodium, transmitido por um mosquito do género Anopheles. Existem cinco espécies patogénicas de parasitas, sendo as mais prevalentes o P. falciparum e o P.vivax, havendo mais de 40 espécies de mosquito relevantes.

Esta afeta cerca de metade da população mundial, sendo mais prevalente em regiões mais desfavorecidas como a África subsariana, Ásia e América Latina. Esta é responsável por 700.000 mortes anuais.

A OMS definiu a Malária, a Tuberculose e o HIV/SIDA como as três doenças alvo a erradicar no imediato.

A malária é uma doença com um ciclo de vida complexo e requer dois hospedeiros obrigatórios: um vertebrado (o ser humano) e um invertebrado (o mosquito). Quando o mosquito pica o humano transmite o parasita que tem preferência pelo fígado e pelos glóbulos vermelhos do hospedeiro, o que explica muitos dos sintomas causados.

Em Portugal o último caso registado de malária endémica (não importada) data de 1959. A título de curiosidade: após 1959, houve em Portugal um caso de transmissão de malária. No entanto, este foi causado por uma transfusão sanguínea de um dador com malária sintomática para um recetor saudável.

 

Fotografia: Pedro Monteiro Palma