A má alimentação dos portugueses

O último Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (2015-16) dá conta que mais de um quinto da população portuguesa é obesa e cerca de um terço está num estado de pré-obesidade. Para estes números contribuem o sedentarismo, uma ingestão baixa de frutas, vegetais e leguminosas, bem como um consumo acima do recomendado de carne, pescado, ovos e lacticínios. Além disso, os produtos processados ricos em açúcar, sal e gorduras saturadas são, infelizmente, uma parte significativa da alimentação dos portugueses.

Surge, então, cada vez mais, a necessidade de estudar a relação entre a alimentação e a saúde (ou a sua falta). E surgem mais estudos, mais descobertas e mais curiosos neste fascinante mundo da Alimentação e Nutrição.

De facto, “somos aquilo que comemos” e a Ciência comprova-o. É possível reduzir bastante o risco de doenças crónicas, como o cancro, através de simples mudanças alimentares. Por um lado, optando por cereais integrais e consumindo diariamente hortofrutícolas e leguminosas. Por outro, limitando a ingestão de alimentos densamente energéticos e com baixa densidade nutricional, evitando carnes processadas, carnes vermelhas e alimentos excessivamente ricos em sal. Mas o português peca em todos estes aspetos.

Portugal é um país associado à Dieta Mediterrânica, possuindo todas as condições para a adotar a 100%; no entanto, cerca de um terço da população apresenta uma baixa adesão a este padrão alimentar saudável e sustentável. Não privilegiamos os alimentos de origem vegetal nem a sua sazonalidade, enquanto nos excedemos com os de origem animal; no momento de temperar, esquecemo-nos da enorme variedade de ervas aromáticas disponíveis no território nacional e abusamos no sal; bebemos pouca água e muitos refrigerantes. Com todas estas falhas, o estado de saúde da população portuguesa tem vindo a declinar.

No entanto, ser saudável não é difícil – a dificuldade está em mudar o panorama social, económico e cultural associado à alimentação. Lamentavelmente, continua a ser mais barato e mais fácil comer mal, seja em restaurantes de fast-food ou em casa, com refeições pré-feitas, habitualmente devido à falta de tempo ou de conhecimento.

Assim, é preciso tornar mais acessíveis alimentos saudáveis e literacia simples para a população em geral compreender os malefícios de uns e os benefícios de outros. É preciso ter curiosidade, descobrir, pressionar os órgãos governamentais, criar melhores políticas de saúde direcionadas para a prevenção, educar a sociedade e, efetivamente, melhorar a alimentação dos portugueses.

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