Medicamentos “Online”: de solução rápida a final abrupto

Um dos maiores problemas de saúde pública global da atualidade é a venda e compra de medicamentos “online”, em muitos dos casos de modo ilegal. A globalização e novas tecnologias tornaram a venda destes fármacos por entidades não autorizadas mais acessível, levando a que este seja um dos derradeiros problemas do século XXI.

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O valor da consciencialização

Este problema é deveras preocupante uma vez que a internet é um veículo facilitador do comércio, não só a nível nacional mas também internacional, no qual é difícil o controlo por parte das autoridades. Daí que a consciencialização das pessoas seja um passo muito importante no combate a esta “ameaça”. Algumas campanhas já se encontram a atuar neste sentido procurando alertar para os perigos da compra “online” de medicamentos.

Uma destas campanhas tem como tema “A compra de medicamentos ‘online’ pode matar. Quer arriscar?” e tem como objetivo alertar as pessoas para os elevados perigos para a saúde, incentivando a compra nas farmácias.

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Estes medicamentos, em grande parte dos casos, são produzidos em laboratórios clandestinos sem cumprirem requisitos de segurança e/ou qualidade. Estes incluem:

  • Produtos sem o ingrediente ativo (32,1%);
  • Produtos com a quantidade incorreta de agentes ativos (20,2%);
  • Produtos com os ingredientes errados (21,4%);
  • Produtos com as quantidades corretas de ingredientes ativos mas com revestimento/empacotamento falso e/ou defeituoso (15,6%);
  • Produtos com elevados níveis de contaminantes e impurezas (8,5%);

Apenas 1% constituem cópias do produto original.

Segundo os dados disponibilizados pela Cooperativa dos Proprietários de Farmácia, em 2014, os principais medicamentos detetados em sites de venda ilícitos correspondem aos utilizados para tratamento da disfunção erétil (30%), com efeito no aparelho cardiovascular (9%), com ação analgésica e/ou antipirética (9%) e psicofármacos/medicamentos com ação no Sistema Nervoso Central (7%).

Várias medidas têm sido adotadas pelas autoridades Europeias num sentido de regulamentar este mercado, sendo uma das medidas mais recentes (1 de Julho de 2015) a obrigatoriedade por todas as farmácias e revendedores “online” a operar legalmente em utilizar um logotipo comum que atesta à sua autenticidade e segurança. O funcionamento desta medida é muito simples: o cidadão que pretenda comprar medicamentos na internet deve procurar o logótipo e clicar sobre o mesmo. Em seguida, será direcionado para uma página da autoridade nacional da regulação que fornece a lista de todas as farmácias e retalhistas legais medicamentos no Estado-membro em questão.

Um perigo disfarçado numa benção

As principais razões que levam à compra dos medicamentos pela internet são monetárias, tendo em conta que estes apresentam muitas vezes preços substancialmente inferiores aos das farmácias, podendo ser mais aliciantes em tempos de crise. Todavia, é necessário sublinhar que a poupança, neste caso, não é vantajosa podendo mesmo levar a casos de envenenamento graves para os quais não há antídoto.

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Um dos vários exemplos dos perigos destes fármacos é o caso de um estudante de 23 anos, nos Açores, em Maio deste ano, que faleceu após a ingestão de comprimidos para emagrecer comprados “online”. Após a sua entrada nas urgências do Hospital do Divino Espírito Santo (Ponta Delgada) ao final da tarde, o estudante acaba por falecer por volta da meia-noite do mesmo dia. À entrada, terá revelado aos médicos que tinha ingerido uma cápsula de um produto amarelo que posteriormente identificou como  DNP ou 2,4 Dinitroferol.

O DNP é um composto químico mais comummente usado na indústria agrícola como pesticida que é ilegalmente incorporado em comprimidos para emagrecer por ser um acelerador do metabolismo extremamente potente com resultados evidentes em poucos dias. O que os rótulos destes supostos “suplementos” carecem mencionar é que este pode provocar vários efeitos adversos (vómitos, náuseas, desidratação, sudação excessiva, entre outros), de entre os quais hipertermia maligna, que conduz ao aumento da temperatura corporal até 43-45 graus Celsius e morte.

Em conclusão, os medicamentos vendidos online, na sua maioria, são ilegais e produzidos sem qualquer controlo por entidades reguladoras. A eficácia esperada nem sempre é garantida para além de poderem contribuir para o desenvolvimento de estirpes resistentes. Ainda, muitos destes fármacos ilegais são produzidos à custa da exploração laboral em países mais pobres e com menos regulamentação instituída a estes laboratórios. Por isso, é importante passar a mensagem para que se pense duas vezes antes de se carregar no “enter”.

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